O caso Igor Peretto voltou a repercutir em São Paulo após a Justiça remarcar para 26 de novembro o júri popular de Marcelly Peretto, acusada de envolvimento no assassinato do próprio irmão, crime ocorrido em Praia Grande, no litoral paulista. A decisão foi obtida pelo DE nesta quinta-feira e altera o julgamento, antes previsto para agosto, pautando o processo para o fim do ano. Segundo fontes ligadas ao Tribunal, a readequação da pauta se deve ao critério de antiguidade processual, dando prioridade a casos mais antigos antes da análise do episódio envolvendo Marcelly.
De acordo com o DE, o homicídio de Igor Peretto, que era comerciante reconhecido na região da Paulista, chocou a comunidade local não apenas pela brutalidade do ataque, mas pelo contexto familiar e passional. O Ministério Público de São Paulo aponta que a motivação teria sido um “empecilho no triângulo amoroso” envolvendo a vítima, sua esposa Rafaela Costa da Silva, a irmã Marcelly Peretto e Mário Vitorino, então cunhado de Igor. O promotor afirma que os réus planejaram minuciosamente como se livrar do comerciante para viver o relacionamento em segredo.
O advogado de defesa de Marcelly, Alex Ochsendorf, comentou que a alteração de data atende questões de logística processual, uma vez que há outros júris com tramitação mais antiga aguardando veredito. “Aguardamos com serenidade o julgamento pelo júri popular e reiteramos que Marcelly é inocente das acusações”, declarou. O prolongamento do processo, segundo ele, não interfere nas expectativas da defesa quanto ao desfecho.
Entenda o caso e a dinâmica do crime
O assassinato de Igor Peretto ocorreu no dia 31 de agosto de 2024, dentro do apartamento de Marcelly, em Praia Grande. Conforme detalhado nos autos, naquele dia Igor, Marcelly e Mário estavam no imóvel quando o ataque foi desferido. Câmeras registraram o deslocamento dos envolvidos pelo edifício, inclusive o momento em que Rafaela, esposa de Igor, deixa o local poucos segundos antes do marido chegar na companhia do suposto autor dos golpes fatais.
Segundo os laudos reunidos e depoimentos prestados à polícia civil, Igor levou diversos golpes de faca – situação que teria o deixado tetraplégico caso sobrevivesse, constata o exame necroscópico anexado ao processo. O crime foi classificado pelo Ministério Público como homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, já que Igor estava desarmado e teve seus movimentos limitados durante o ataque.
Notícias do DE evidenciaram que logo após o crime as investigações apontaram o envolvimento direto da esposa e da irmã de Igor, além do ex-marido de Marcelly, Mário Vitorino. Rafaela e Marcelly se entregaram à polícia em 6 de setembro, enquanto Mário foi detido cerca de uma semana depois em Torrinha, no interior de São Paulo, na casa de um parente de Rafaela.
Desdobramentos judiciais e mudança nas estratégias de defesa
A evolução do processo foi marcada por diferentes estratégias dos advogados dos réus. Inicialmente, Marcelly e Mário seriam julgados juntos, dada a conexão dos fatos. Contudo, a contratação de uma nova equipe de defesa por Marcelly resultou no desmembramento do processo, permitindo que julgamentos distintos fossem marcados. O antigo defensor de Marcelly chegou a ingressar com recurso contra a decisão que levou a ré a júri, assim como a defesa de Mário, suspendendo temporariamente a tramitação aguardando parecer em segunda instância.
Posteriormente, Alex Ochsendorf, novo advogado de Marcelly, optou por desistir do recurso, alegando que a cliente permaneceria mais tempo presa esperando o julgamento de Mário caso a tramitação conjunta fosse mantida. “Ao separar as ações, Marcelly pode ser julgada mais rapidamente, evitando que a prisão preventiva se prolongue além do necessário”, explicou à equipe do DE. A promotoria destaca que essa decisão agiliza o rito do Tribunal do Júri e poderá dar ao caso uma solução antes do fim do ano.
No caso de Rafaela Costa da Silva, viúva de Igor Peretto, a Justiça concedeu liberdade provisória em outubro de 2025, após o juiz Felipe Esmanhoto Mateo entender que não haviam provas suficientes de sua participação direta no homicídio, especialmente porque imagens de segurança mostraram que ela deixou o apartamento minutos antes do assassinato. A decisão gerou repercussão nas redes e questionamentos quanto ao grau de envolvimento dos acusados no crime.
O contexto familiar e a motivação por trás do crime
Investigações apontam que a relação tumultuada entre os envolvidos intensificou-se nos meses que antecederam o assassinato. O Ministério Público sustenta que o relacionamento extraconjugal entre Rafaela e Mário – este, por sua vez, ex-marido de Marcelly – motivou o plano de eliminar Igor, que teria descoberto as traições e ameaçava romper o casamento. Ainda segundo a promotoria, a suposta relação entre Rafaela e Marcelly adicionou complexidade à trama, tornando o crime um dos mais emblemáticos recentes no litoral paulista.
O DE revelou que testemunhos colhidos indicam que, no dia do crime, Marcelly e Rafaela tiveram um envolvimento íntimo no apartamento momentos antes da chegada de Igor e de Mário. A sequência de entradas e saídas pelo elevador foi detalhada em laudos periciais, reforçando os indícios do prévio planejamento. O Ministério Público continua sustentando que o grupo enxergava Igor como uma figura hostil ao pretenso relacionamento amoroso triplo.
Sobre os próximos passos da ação penal, somente Marcelly Peretto tem julgamento pautado para novembro. O advogado de Mário Vitorino segue recorrendo da decisão que determinou seu envio ao Tribunal do Júri, o que pode arrastar o processo por mais meses devido à análise em segunda instância. Pergunta-se: quando a sociedade terá respostas definitivas sobre a autoria e responsabilidade de cada acusado?
O que esperar para as audiências de novembro?
A expectativa para a sessão de 26 de novembro é alta, pois o caso repercute na opinião pública e mobiliza agentes de segurança, advogados e familiares em cidades da Baixada Santista. A promotoria reunirá provas técnicas, exames necroscópicos e vídeos para embasar a tese de homicídio premeditado durante o júri popular. Segundo o Tribunal local, novas testemunhas arroladas pela defesa e pela acusação devem ser ouvidas, visando esclarecer pontos ainda obscuros na reconstrução dos fatos.
Os advogados de Marcelly reforçam a tese de que não existem elementos suficientes para condenação, alegando que a cliente não teria participado da execução do crime. Já o Ministério Público deve frisar o laço de convivência entre os envolvidos, indicando que o ataque foi resultado de um conluio motivado pelo contexto familiar conturbado. Caso considerada culpada, Marcelly pode pegar pena superior a 20 anos de reclusão, conforme classificações de homicídio triplamente qualificado na legislação brasileira.
Por fim, entre habitantes de São Paulo e região, permanece o clamor por justiça e transparência. O caso Igor Peretto expõe as complexidades de crimes passionais e os desafios do sistema judiciário em casos de grande repercussão. O resultado do júri popular deverá marcar não somente o desfecho de uma tragédia familiar, mas também abrir debates sobre os mecanismos de proteção à vida e os limites das relações afetivas na sociedade atual. O DE seguirá acompanhando cada reviravolta desse emblemático processo até seu desfecho.



