Justiça realiza júri popular de PMs acusados de matar menor de 13 anos na Cidade de Deus
O julgamento estava agendado para o final de janeiro, mas foi adiado para esta terça-feira (10). Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, foi morto a tiros durante uma operação na Cidade de Deus, em 2023. Em seus depoimentos, os agentes admitiram os disparos, alegando que agiram em legítima defesa.
Thiago Menezes Flausino, com apenas 13 anos, foi vítima de um trágico assassinato. O júri popular dos PMs responsáveis pela morte do estudante está marcado para esta terça-feira (10). Os dois policiais do Batalhão de Choque, Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, são acusados de homicídio e fraude processual após confessarem os disparos que resultaram na morte do jovem.
A acusação contra os policiais baseia-se na denúncia de que estavam em um carro particular durante uma operação ilegal denominada de Tróia, na Cidade de Deus, quando alvejaram dois jovens, alegando que Thiago Flausino estava armado e teria atirado neles. No entanto, testemunhas afirmam que não houve confronto e que o adolescente foi executado por um policial enquanto já estava caído no chão, de costas.
Durante o processo, a defesa de um dos PMs sustentou que Thiago era ligado ao tráfico na região, apresentando conversas que, segundo eles, indicavam seu envolvimento com lideranças criminosas locais. No entanto, a investigação revelou que nem o jovem nem o condutor da motocicleta possuíam antecedentes criminais ou ligação com o tráfico.
Os policiais também são acusados de fraude processual, tendo manipulado a cena do crime e supostamente plantado uma arma próximo ao corpo de Thiago para corroborar com a versão de confronto. O julgamento desta acusação será realizado na auditoria da Justiça Militar. Além dos PMs citados, outros policiais também estão envolvidos no processo, mas a juíza responsável entendeu que não havia indícios suficientes para levá-los a júri popular.
O adiamento do julgamento gerou revolta entre familiares e amigos de Thiago, que se manifestaram em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em repúdio à decisão. A mãe do adolescente desmaiou diante da situação. Este caso levanta novamente questões sobre a atuação policial e a violência em comunidades como a Cidade de Deus, trazendo à tona a importância de se buscar por justiça e transparência nessas circunstâncias.




