CAMPO GRANDE (MS) — A Justiça manteve a prisão preventiva de parte dos investigados na Operação Buraco Sem Fim, que apura desvios em contratos de tapa-buracos na capital, mas revogou a detenção do ex-secretário municipal de Obras Rudi Fiorese e de outros quatro suspeitos, conforme decisão do juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal. A medida atendeu a pedidos das defesas de Erik Antonio Valadão Ferreira de Paula e Fernando de Souza Oliveira, estendendo os efeitos a Fiorese, Mehdi Talayeh e ao empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa. Agora, eles responderão ao processo em liberdade, sob monitoramento eletrônico e outras cautelares.
Na decisão, o magistrado destacou que a prisão preventiva não pode ser usada como “resposta simbólica” nem como “antecipação de pena”, avalizando que riscos processuais podem ser mitigados com medidas alternativas. Entre as condições impostas, os investigados deverão usar tornozeleira eletrônica por 180 dias, informar previamente qualquer mudança de endereço ou telefone e comparecer a todos os atos do processo. A operação, deflagrada em maio de 2026 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), já havia apreendido cerca de R$ 500 mil em espécie nas residências dos alvos, sendo R$ 186 mil na casa de um servidor investigado.
Decisão do juiz determina medidas cautelares
O juiz Waldir Peixoto Barbosa fundamentou a revogação da prisão preventiva com base na necessidade de evitar excessos e preservar a presunção de inocência. Com a soltura, os réus passarão a ser monitorados por tornozeleira eletrônica por 180 dias, além de terem que comunicar à Justiça qualquer alteração de endereço ou contato telefônico. Eles também ficam obrigados a comparecer a todos os atos processuais, sob pena de nova detenção. A decisão atende aos pedidos das defesas de Erik e Fernando, e foi estendida a Rudi Fiorese, Mehdi Talayeh e Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, alcançando cinco dos sete investigados inicialmente presos.
Entenda o esquema investigado na operação
A Operação Buraco Sem Fim investiga um suposto esquema de fraudes em contratos de manutenção viária e tapa-buracos em Campo Grande entre 2018 e 2025. De acordo com o MPMS, os investigados manipulavam planilhas e medições para que a prefeitura pagasse por serviços não executados ou realizados apenas parcialmente. A Construtora Rial, principal empresa citada, teria recebido mais de R$ 113 milhões em contratos e aditivos sob apuração. Rudi Fiorese é apontado como o “elo político” do esquema, usando sua influência para beneficiar empresários em troca de vantagens financeiras. Outros alvos incluem Edvaldo Aquino, ex-coordenador do serviço de tapa-buracos, e Mehdi Talayeh, engenheiro da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), que teriam participado das irregularidades nas medições.
Investigação aponta valores e envolvidos
O caso ganhou grande repercussão por envolver contratos de manutenção das ruas da capital e por alguns investigados já terem sido alvos da Operação Cascalhos de Areia, em 2023, que apurou suspeitas de irregularidades em obras de vias não pavimentadas. Durante o cumprimento dos mandados de busca e prisão, foram apreendidos aproximadamente R$ 500 mil em dinheiro vivo nas residências dos suspeitos. A Justiça determinou que os cinco réus agora em liberdade provisória cumpram rigorosamente as medidas cautelares, enquanto o processo segue tramitando na 5ª Vara Criminal de Campo Grande.


