O cenário político de São Paulo segue em ritmo acelerado nesta quarta-feira (10), movimentando a corrida eleitoral de 2026 e influenciando alianças estratégicas em todo o Brasil. Articuladores como Márcio França, ex-governador paulista, já sinalizam uma possível reconfiguração das forças políticas ao redor de nomes como Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin, com consequências diretas para o futuro das eleições presidenciais.

De acordo com fontes ligadas ao ex-governador, a expectativa é que a movimentação de Kassab seja semelhante ao que ocorreu com Alckmin em 2022. Naquele pleito, a aproximação entre o então ex-governador tucano e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi decisiva para a disputa no segundo turno. Agora, a possibilidade de Kassab se tornar uma peça central atrai a atenção tanto da esquerda quanto do centro político paulista.

No contexto atual, Kassab aparece como o principal articulador do PSD, sigla que já detém mais de 200 prefeituras no estado de São Paulo, consolidando-se como força relevante no interior. Movimentos recentes, como a saída de Felício Ramuth do partido rumo ao MDB, aumentam a pressão por novas composições e refletem o impacto das decisões nos bastidores das cidades paulistas.

Alianças e expectativas para as eleições

Segundo Márcio França, existe a compreensão de que a vitória de Lula em 2022 foi construída com uma base sólida de votos em São Paulo, ainda que o petista tenha sido derrotado no estado por Jair Bolsonaro por uma margem de 10 pontos percentuais. França avalia que sem o apoio de Alckmin – que governou SP por quatro mandatos – a diferença teria sido ainda maior, demonstrando a força do ex-governador na região.

Nesse novo cenário, Gilberto Kassab desponta como o “Alckmin da vez” para 2026, conforme vem sendo afirmado por França a interlocutores próximos. Para a oposição, é fundamental observar os próximos passos do PSD, partido que ostenta atualmente o maior número de prefeitos no principal colégio eleitoral do Brasil. Tal posição privilegia a sigla fronte à negociação por espaços em chapas majoritárias, seja para vice de Lula ou cabeça de chapa própria ao Palácio dos Bandeirantes.

Internamente, o PSD vivencia tensões após Kassab ser preterido por Tarcísio de Freitas na escolha do vice para as próximas eleições. O atual vice-governador, Felício Ramuth, deixou a legenda de Kassab e se filiou ao MDB para compor novamente a chapa com o governador. Tal decisão surpreendeu parte do cenário político, evidenciando o clima de incertezas e, ao mesmo tempo, a volatilidade que pode favorecer novas alianças partidárias.

Movimentações internas e bastidores do poder

Fontes próximas a Kassab afirmam que, embora ele repita em declarações públicas o compromisso com o projeto de reeleição de Tarcísio, há uma clara sensação de “traição”, segundo Márcio França, sobretudo pelas mudanças súbitas no jogo político. O ex-secretário do Governo paulista viu sua influência diminuir sensivelmente desde a saída da administração estadual, o que abre espaço para negociações diretas com a esfera federal e partidos da base do presidente Lula.

A reedição da chapa Lula-Alckmin, anunciada recentemente por lideranças petistas, não encerra totalmente as negociações de bastidores em São Paulo. Alguns setores do PT paulista pressionam para que Alckmin dispute uma vaga ao Senado, abrindo caminho para Kassab integrar como vice uma eventual chapa de reeleição de Lula. O clima é de indefinição, porém a possível participação ativa do PSD em uma aliança nacional não é descartada, especialmente se observada a influência da sigla em pequenas e médias cidades do estado.

Além disso, o presidente do PSD tem reforçado, em eventos e entrevistas, a disposição de apoiar a pré-candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao Planalto. Caiado migrou recentemente do União Brasil para o PSD consolidando-se como alternativa ao campo conservador. Entretanto, como lembram analistas, o histórico das eleições brasileiras demonstra que costuras e rupturas podem ocorrer até os momentos finais das convenções partidárias.

O futuro das alianças e o impacto no cenário nacional

O que esperar para os próximos dias? De acordo com interlocutores do PSD, existe a possibilidade de reuniões decisivas nas próximas semanas, buscando alinhar interesses e diminuir o clima de incerteza com vistas a 2026. Um dos desafios será acomodar a força municipal do partido, detentor de uma vasta máquina administrativa, com os interesses de lideranças nacionais como Kassab e Caiado.

Ainda nesta quarta, políticos e especialistas avaliam que o cenário eleitoral de São Paulo poderá influenciar as articulações para além das fronteiras do estado, provocando efeitos em toda a economia e na governabilidade nacional. O contraste entre o pragmatismo político do PSD e as recentes disputas internas revela a importância estratégica da sigla e de seus líderes para o xadrez eleitoral brasileiro.

Segundo levantamento recente, o PSD detém atualmente mais de 660 prefeituras no país, sendo o terceiro partido com maior presença municipal. Tal capilaridade amplia o poder de barganha e coloca a legenda entre as principais protagonistas no processo sucessório, especialmente quando se considera o equilíbrio necessário entre as forças progressistas e conservadoras que disputam os rumos do país.

Para Márcio França, a tendência é que o cenário continue fluido, com possibilidade de novas conversas entre Lula, Alckmin, Kassab e outros líderes. Assessores próximos analisam, inclusive, a hipótese de Alckmin abrir mão da vice-presidência para fortalecer o PT no Senado, enquanto Kassab migraria para a candidatura à vice de Lula, numa estratégia considerada de “força máxima” para a coalizão em 2026.

A aliança inédita de 2022, que uniu o PT e o PSB em torno de Lula e Alckmin, pode, portanto, inspirar novamente uma composição ampla. O objetivo seria não apenas enfrentar adversários como o PL e o Republicanos, mas também garantir estabilidade administrativa, tanto em São Paulo quanto em outros estados-chave para o desenvolvimento da economia nacional.

O desfecho das negociações deve ocorrer até o fim do primeiro semestre de 2025, prazo considerado essencial para o fechamento das principais coligações. Observadores destacam que o envolvimento direto de Kassab em uma aliança nacional representaria uma inflexão significativa na trajetória do PSD, até então marcado por posturas de independência frente aos polos tradicionais.

Assim, o ambiente político em São Paulo serve como termômetro para as grandes tendências do Brasil. Com múltiplos atores e negociações incessantes, as pesquisas de intenção de voto e os movimentos nos bastidores serão determinantes para definir o tabuleiro que levará à eleição de 2026. A sociedade e os gestores públicos seguem atentos às articulações que vêm sacudindo o universo das cidades paulistas e de todo o país, em meio à expectativa por novas composições capazes de garantir estabilidade, desenvolvimento e diálogo entre diferentes setores da sociedade.