SÃO PAULO (SP) — A prisão de um ex-chefe da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, de um ex-estagiário do Ministério Público (MP) e de um ex-policial civil, todos suspeitos de integrar uma rede de vazamento de informações sigilosas e extorsão em benefício do Primeiro Comando da Capital (PCC), levou o promotor Marcos Tadeu Rioli, responsável pela operação, a afirmar que as instituições estão empenhadas em “extirpar dos quadros essas laranjas podres”. Rioli destacou que a ação conjunta das polícias Civil, Militar e do MP demonstra o compromisso em afastar “maus profissionais que buscam informações privilegiadas para praticar seus crimes”. Ele ainda pediu que a sociedade confie nas instituições, garantindo que estas “trabalham para que todos recebam um serviço público eficiente, contínuo e transparente”. As investigações apontam que os suspeitos teriam participado de um esquema que incluía desde o repasse de dados confidenciais até a cobrança de valores para supostamente blindar investigados, e mantinham contato com pessoas ligadas ao PCC que chegaram a planejar, sem sucesso, o assassinato de um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Os alvos da Operação Infiltrados
Entre os presos está Maurício Aparecido de Oliveira, que chefiou os investigadores da Dise de Campinas e atualmente lotado no 1º Distrito Policial da cidade. De acordo com o MP, uma semana antes da operação que desarticulou o plano de homicídio contra o promotor Amauri Silveira Filho, em agosto de 2025, Maurício se reuniu com um dos suspeitos de executar o atentado. Imagens do encontro foram obtidas e agora os promotores investigam se informações sigilosas sobre a investigação foram passadas ao grupo criminoso. A defesa do ex-investigador classificou a prisão como “desnecessária” e afirmou que aguarda acesso aos autos. Outro detido é Gabriel Lira de Jesus, bacharel em direito que, na época dos fatos, estagiava em uma promotoria criminal do MP em Campinas. A suspeita é que ele tenha usado o acesso a sistemas do órgão para localizar investigados com alto poder econômico e exigir dinheiro em troca de suposta proteção. Mensagens encontradas no celular do empresário Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como “Dragão” — suspeito de financiar o plano contra o promotor — mostram Gabriel cobrando R$ 500 mil para que informações sobre o empresário não fossem enviadas ao Gaeco. Ele deixou o estágio semanas após as operações e passou a atuar em um escritório de advocacia, também alvo de buscas. Já o ex-policial civil Itamar Gomes da Silva, preso em um sítio na rodovia entre Cardoso e São João do Marinheiro, seria o elo entre o ex-chefe da Dise e o empresário José Ricardo, apontado como executor do plano de assassinato. Itamar já havia sido expulso da Polícia Civil após condenação por extorsão em 2008.
Desdobramento de operações anteriores
A Operação Infiltrados, deflagrada na terça-feira (9), é um desdobramento de duas ações anteriores: a Operação SÃO PAULO Pronta Resposta, que em agosto de 2025 apurou o planejamento do atentado contra o promotor Amauri Silveira Filho, e a Operação Off White, realizada em outubro daquele ano para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a traficantes do PCC, incluindo Sérgio Luiz de Freitas, o “Mijão” ou “Xixi”, um dos principais chefes da facção ainda foragido. Ao todo, além das três prisões temporárias, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Campinas e Cardoso. Um policial penal também é investigado e foi alvo das buscas, mas não teve a prisão decretada. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos na rede de corrupção e vazamento de dados. O Ministério Público ressalta que as instituições seguem unidas no combate a “maus profissionais” que comprometem a segurança pública.



