Laudo revela que cão Orelha sofria de doença degenerativa e infecção óssea, não relacionadas ao trauma sugerido. Novas diligências são solicitadas.

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O cão Orelha, conhecido pela sua trajetória como cachorro comunitário, teve seu corpo exumado para um laudo detalhado sobre sua morte. O resultado revelou que o animal sofria de uma doença degenerativa crônica e uma infecção óssea, condições que não estavam relacionadas ao possível trauma recente que ele sofreu. O documento obtido com exclusividade revelou que não foram identificadas lesões na cabeça do cão, mas ressaltou que a ausência de fraturas não exclui a possibilidade de trauma craniano como causa da morte.

De acordo com o laudo, o cão Orelha apresentava doenças crônicas prévias na coluna e nos ossos do rosto, sendo que essas condições não tinham relação direta com o possível trauma na cabeça. A análise dos peritos identificou uma infecção óssea no maxilar esquerdo, compatível com osteomielite, originada possivelmente por uma combinação de tártaro, doença periodontal e falta de cuidados adequados. Além disso, foram observadas alterações importantes na coluna, como osteófitos e espondilose deformante, comuns em animais idosos.

O professor José Francisco Bragança, especialista em Medicina Veterinária, explicou que a osteomielite é uma infecção óssea que pode ocorrer em cães de rua devido a ferimentos não tratados corretamente. Ele ressaltou que as condições identificadas no corpo de Orelha podem estar relacionadas ao seu estilo de vida nas ruas, com ausência de dieta balanceada e suplementação adequada. O exame foi focado no esqueleto devido ao avançado estado de decomposição do corpo, que impossibilitava a avaliação de tecidos moles.

Após a conclusão do laudo, o Ministério Público solicitou novas diligências à Polícia Civil diante de lacunas no material reunido. As investigações continuam para esclarecer a morte de Orelha, com a criação de um grupo de trabalho para analisar as novas informações. O caso permanece em segredo de Justiça devido à participação de adolescentes, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Orelha foi agredido em janeiro e veio a óbito em decorrência dos ferimentos. O animal era um cão comunitário da Praia Brava, em Florianópolis, e recebia atenção de diversos moradores. O caso gerou comoção e levou à solicitação de um novo laudo após a primeira análise indicar um golpe fatal na cabeça do animal. A investigação segue em andamento para esclarecer todas as circunstâncias envolvidas na morte de Orelha.

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