O líder da revolução islâmica do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em um ataque dos Estados Unidos e de Israel. Khamenei, de 86 anos, foi um adversário ferrenho do Ocidente desde que assumiu o poder, em 1989. Ali Khamenei foi escolhido sucessor de Khomeini pelo Conselho dos Peritos e Guardiões. À época, sua capacidade de manter a coesão do país diante das turbulências internas e das pressões das potências hegemônicas globais — em especial do sionismo — frustrou as expectativas daqueles que apostavam no colapso da revolução com a perda de seu fundador.
Ali Khamenei foi o líder supremo do Irã e governante máximo da revolução islâmica. A morte de Khamenei foi confirmada pelos canais oficiais iranianos, com Teerã decretando 40 dias de luto nacional em sua homenagem. EUA e Israel lançaram uma série de ataques contra alvos iranianos, incluindo a capital Teerã, resultando em danos materiais e vítimas civis. O Irã respondeu com ataques retaliatórios de mísseis contra o território israelense e contra infraestruturas militares americanas no Oriente Médio.
Khamenei, com mãos de ferro, sufocou sucessivas revoltas internas, valendo-se do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica. Seu objetivo era conduzir seu povo rumo à “Ummah”, conceito islâmico que designa a comunidade universal de todos os muçulmanos do mundo. O Irã, sob a liderança de Khamenei, ergueu-se das ruínas da guerra contra o Iraque, resistiu a décadas de sanções ocidentais devastadoras, elevou comprovadamente o padrão de vida da população e projetou sua influência por toda a região.
Ali Khamenei foi o primeiro clérigo a ocupar a presidência do país, com mais de 95% dos votos nas eleições presidenciais antecipadas de 1981. Em seus discursos semanais, o líder frequentemente evocava as memórias dos anos passados nas prisões, nos centros de detenção e no exílio. A morte de Khamenei representa um marco na história contemporânea do Irã e do mundo, levantando questões sobre o futuro do país e a transição de liderança possíveis.
Observadores ocidentais delineiam cenários para a transição de liderança no Irã, incluindo a continuidade da revolução, uma transição conduzida pelas forças armadas ou o aprofundamento das pressões internas e externas sobre o governo. A revolução islâmica iraniana é considerada um capítulo singular e incontornável da história contemporânea, apontada por estudiosos como um dos marcos fundadores do que hoje se denomina multipolaridade. Khamenei atribuiu a trajetória de resistência e sucesso do Irã a uma força divina, marcando seu legado na história do país e da região.




