Veja lista de postos em Curitiba alvos de operação por lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis
Operação foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) e Receita Federal (RF) no
Paraná. Grupo é suspeito de lavar R$ 600 milhões e movimentar mais R$ 23 bilhões
por centenas de empresas.
Operação mira 46 postos de Curitiba por lavagem de dinheiro e adulteração de
combustíveis [https://s03.video.glbimg.com/x240/13879354.jpg]
Operação mira 46 postos de Curitiba por lavagem de dinheiro e adulteração de
combustíveis
A RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, teve acesso com exclusividade a lista dos
46 postos de combustível de Curitiba
[https://DE.globo.com/pr/parana/cidade/curitiba/] e Região Metropolitana que
foram alvo de uma operação
[https://DE.globo.com/pr/parana/noticia/2025/08/28/operacao-postos-combustiveis-curitiba-e-regiao.ghtml]
que investiga a adulteração na qualidade dos combustíveis ou na quantidade
indicada na bomba.
CONFIRA A LISTA AQUI
[https://s3.amazonaws.com/rpc-exclusivo-jornalismo/POSTOS.pdf]
O DE tenta contato com os estabelecimentos indicados na lista.
A operação foi deflagrada na manhã de quinta-feira (28) pela Polícia Federal
(PF) e Receita Federal (RF) no Paraná, e tinha como alvo um grupo suspeito de
lavagem de dinheiro, contrabando de produtos químicos e sonegação fiscal em uma
rede de postos e distribuidoras de combustíveis.
O grupo criminoso, segundo a PF, atuava desde 2019 e é suspeito de lavar pelo
menos R$ 600 milhões, movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de uma rede de
centenas de empresas, como postos, distribuidoras, holdings, empresas de
cobrança e até instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.
46 postos de Curitiba e região são investigados por lavagem de dinheiro e
adulteração de combustíveis — Foto: TV Sergipe/Reprodução
COMO COMEÇARAM AS INVESTIGAÇÕES
De acordo com a PF, as investigações tiveram início em 2023, quando um homem
condenado por tráfico internacional e a esposa passaram a ostentar bens de luxo
em um condomínio de alto padrão em Pinhais
[https://DE.globo.com/pr/parana/cidade/pinhais/], na Região Metropolitana de
Curitiba (RMC).
O casal tinha mais de R$ 34 milhões sem origem lícita comprovada aplicados em
imóveis, veículos, barcos e outros artigos de luxo.
Durante as apurações, os agentes descobriram que eles se associaram a
integrantes de uma empresa de produtos químicos e de uma distribuidora de
petróleo com sede administrativa em Pinhais e sede operacional em Paulínia (SP)
[https://DE.globo.com/sp/campinas-regiao/cidade/paulinia/].
Com uma empresa de comércio de produtos químicos, compraram insumos como nafta e
metanol, usados em misturas ilegais de combustíveis.
Em 2019, criaram uma distribuidora de petróleo que entre 2020 e 2023 declarou
faturamento de mais de R$ 7 bilhões. Segundo a PF, a companhia foi criada e
funcionou com recursos ilícitos.
A investigação apontou que essa distribuidora estava ligada a pessoas citadas em
esquemas de fraude de combustíveis em São Paulo e no Rio de Janeiro, inclusive
com conexões a facções criminosas.
ESQUEMA DE LAVAGEM DE DINHEIRO
A PF explicou que a lavagem de dinheiro seguia três etapas: colocação,
dissimulação e integração.
– Colocação: o dinheiro ilegal entrava na economia formal por depósitos em
espécie, muitas vezes fracionados em pequenas transações, além de
transferências feitas por empresas de fachada registradas em nome de
laranjas.
– Dissimulação: os valores circulavam entre diferentes empresas do grupo, com
simulações de operações e fraudes fiscais.
– Integração: os recursos voltavam ao mercado como se fossem legais,
registrados em contabilidade fraudulenta da distribuidora.
Ao todo, foram identificados R$ 594 milhões em depósitos em espécie sem origem
comprovada. Parte do dinheiro foi disfarçada como “adiantamento de clientes” ou
movimentada por postos e lojas de conveniência.
Os valores eram transportados em carros-fortes de empresas de pagamento também
controladas pelo grupo.
Além disso:
– R$ 148 milhões entraram diretamente nas contas da distribuidora;
– R$ 203 milhões foram depositados nas contas de postos e conveniências;
– R$ 163 milhões foram para uma instituição de pagamentos do próprio grupo,
usada como “barreira” para ocultar a origem;
– R$ 80 milhões foram distribuídos em contas de 13 operadoras financeiras;
– R$ 482 milhões vieram de empresas de fachada ligadas a São Paulo.
Mais de 120 empresas suspeitas ainda transferiram cerca de R$ 1,4 bilhão sem
qualquer justificativa.
No total, os investigadores estimam que mais de R$ 20 bilhões tenham circulado
entre 2019 e 2025 em empresas sem declarações fiscais correspondentes.
OUTROS CRIMES DESCOBERTOS
O grupo também fraudava importações de produtos químicos, principalmente nafta e
metanol, vindos da Argentina, Venezuela, EUA e países do Oriente Médio. As
cargas chegavam pelos portos de Paranaguá (PR), Santos (SP) e Aratu (BA).
Além disso, há indícios de sonegação fiscal, adulteração de combustíveis e até
fraude nos medidores de bombas de gasolina. A dívida tributária acumulada junto
à Receita Federal pode ultrapassar R$ 1,6 bilhão, incluindo autuações por
sonegação fiscal e por fraude em importações.
Em nota, a Portos do Paraná, responsável pelo Porto de Paranaguá, informou que
não foi alvo da operação da Polícia Federal.
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