Lobista Careca do INSS tenta emplacar contratos milionários no Ministério da Saúde: PF investiga desvio de dinheiro das aposentadorias.

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Careca do INSS tentou emplacar, sem sucesso, três contratos milionários com o Ministério da Saúde. PF apura se lobista usou dinheiro desviado das aposentadorias em empresas que buscavam contratos na saúde. Funcionários dele chegaram a elaborar documentos para a pasta.

O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores das fraudes em aposentadorias, tentou vender ao Ministério da Saúde medicamentos de cannabis, testes rápidos de dengue e produtos de nutrição infantil. O Careca foi recebido em reunião no ministério pelo menos uma vez, em janeiro de 2025, mas o governo não comprou esses produtos das empresas ligadas a ele.

A Operação Sem Desconto, que investiga as fraudes no INSS e revelou ao público as suspeitas contra o Careca, estourou em 23 de abril de 2025. A atuação do Careca do INSS e de seus funcionários junto ao Ministério da Saúde está registrada em mensagens de WhatsApp obtidas pela reportagem. As conversas estão sob análise da PF.

Na decisão que autorizou a fase mais recente da operação, em dezembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso, afirmou que o Ministério da Saúde era a “nova possível área de atuação da organização criminosa”. E mandou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apurar administrativamente “eventuais irregularidades praticadas por servidores públicos”.

Uma das suspeitas é que o Careca tenha usado dinheiro desviado das aposentadorias para pagar propina e estruturar empresas de sua propriedade que miravam em contratos milionários na área da saúde. Uma das empresas do Careca do INSS é a World Cannabis. Em 19 de dezembro de 2024, ele trocou mensagens com seus funcionários, no grupo da firma, sobre um processo de revisão da resolução nº 327 da Anvisa, que teria ficado para 2025.

Swedenberger Barbosa, o Berger, era secretário-executivo do Ministério da Saúde, o número 2 da pasta. A mensagem não disse se essa reunião seria presencial ou pela internet. Dias antes, em 13 de dezembro de 2024, os funcionários do Careca compartilharam no grupo um arquivo de texto com a minuta de um Termo de Referência (TR) que previa a compra de 1,2 milhão de frascos de canabidiol pelo Ministério da Saúde. A venda para o governo não ocorreu.

No mês seguinte, janeiro de 2025, o objetivo do Careca passou a ser a venda de testes de dengue para o Ministério da Saúde, indicam as mensagens. Numa quinta-feira, 9 de janeiro, o empresário disse a seus funcionários que teria reunião presencial com Berger na segunda-feira seguinte. O ministério informou que, também neste caso, o Careca não teve sucesso.

Numa outra frente, o Careca ainda fez uma parceria com uma empresa goiana que pretendia fornecer produtos de nutrição infantil ao Ministério da Saúde por meio da Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego). Uma das empresas do lobista, a Camilo Comércio e Serviços SA, assinou um memorando de entendimentos — um tipo de contrato, classificado como confidencial — com a DAUS Indústria de Alimentos em 31 de outubro de 2024. A reprovação foi em agosto de 2025.

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