“Luciula, cadê meu cachorro?”

Nova denúncia ao Diário do Estado relata a mesma história: ninguém sabe o que acontece com os animais

Janine Cunha é mais uma denunciante do abrigo para animais Recanto dos Anjos Peludos que contou sua história para o Diário do Estado. Ela também trabalha com a causa animal, no abrigo “Casa Verde”, do qual é dona, em Goiânia. Em junho do ano passado realizou o resgate de 12 animais, junto com a polícia, em uma residência insalubre onde, ao que apontava o ambiente, eram realizados rituais obscurantistas com os animais.

A vereadora Luciula do Recanto, administradora do Recanto dos Anjos Peludos e agora vereadora por Goiânia participou da busca e resgate na residência. Um destes animais era o cãozinho Chico, que estava com cinomose. Por isso, Luciula recomendou que ele fosse levado para a clínica Bicho Lega, de Lúcia Pacheco.

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Janine conta que Lúcia pediu R$ 150 para o exame, valor que foi pago por ela e outra amiga. O Chico ficou na clínica, e com o passar dos dias, as duas começaram a requerer informações sobre o cão, inclusive para ver fotos do resultado dos exames, mas esta foto não foi tirada. O discurso era que ele estava melhorando, e neste meio termo, começaram os pedidos: “Pediu dois sacos de ração Premium e pediu patê. Nós pensamos ‘nossa, o Chico deve estar melhorando demais para comer tanto’, relata.

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“Pedíamos para visitar, e não era possível. Para ver foto de como ele estava, mas não tiravam. Isso durou uma semana. Aí eu falei pra minha amiga ‘vamo lá buscar o Chico’, porque essa história de não poder visitar, ver uma foto… ‘Vamos pegar ele'”, lembra de ter dito à amiga. “Ligamos para a Lúcia dizendo que íamos buscar o Chico”, conta. “Não, ele morreu!“, teria respondido a dona da clínica.

“Mas como assim? Ele não estava ficando bom? Então a gente vai pelo menos aí buscar o corpo para enterrar”. Mas Lúcia negou, dizendo que o caminhão de incineração da prefeitura havia passado e pegado o animal. “Ligamos imediatamente no serviço de coleta da prefeitura, e o caminhão nem tinha saído de lá“, lembra.

Ligando de volta para Lúcia, ela retrucou: “Não, eu me enganei. Foi o esposo da Luciula que passou aqui e buscou”, reconta Janine, imitando a fala de Lúcia. “E assim a gente nunca mais viu o Chico. Me enganaram uma semana, pedindo saco de ração Premium. Nem o exame que pagamos eles tiraram foto para a gente ver”.

Janine publicou toda a história por meio de vídeo, na conta do Instagram de seu abrigo, a Casa Verde. Nos comentários, diversos outros relatos começaram a aparecer, os quais ela nos disponibilizou:

O último relator, Rômulo Cassiano, foi entrevistado pelo Diário do Estado em dezembro de 2020 e contou a mesma história: conseguiu doações, mas um dos animais morreu, outro ele tirou de lá “mostrando os ossos” de tão magro, e do terceiro, a cadelinha Rubi, até hoje não se sabe do paradeiro, embora Luciula garantiu que foi adotada. Veja a matéria com Rômulo clicando aqui.

Depois dos vídeos de Janine com acusações, Luciula entrou na Tribunal Regional Eleitoral, pedindo que os vídeos fossem tirados de circulação. “Ganhei na primeira instância”, conta Janine. “Ela recorreu, foi para o Supremo, e antes da decisão judicial ela fez um vídeo, dizendo que conseguiu na Justiça o bloqueio dos meus vídeos. Dez dias depois a decisão do juiz saiu, favorável a mim”.

No vídeo citado, de 14 de outubro, a então candidata a vereadora diz que todas as acusações têm fundo político, já que uma situação de junho foi “ressuscitada” perto das eleições. Luciula também diz que o dano não foi a ela , mas aos animais, já que as doações teriam diminuído para o abrigo. E por fim, pede votos, dizendo “vou ganhar”. De fato, foi eleita em Goiânia, carregando o nome da causa animal.

O Diário do Estado, à época da primeira denúncia, entrou em contato com a defesa da vereadora, que pediu direito de resposta, mas nunca enviaram o material para que publicássemos.

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