A Xiaomi anunciou uma queda de 43,1% em seu lucro líquido ajustado no 1º trimestre de 2026, impactada por fatores como o aumento dos custos dos chips de memória e a desaceleração nas vendas de smartphones e veículos elétricos. O lucro ficou em 6,07 bilhões de yuans (US$ 890 milhões), abaixo das previsões dos analistas e da receita total que caiu 10,9%, somando 99,14 bilhões de yuans (US$ 14,6 bilhões). A situação ressalta o desafio que a empresa enfrenta durante sua transição para o setor automotivo.
Os resultados da Xiaomi evidenciam a pressão sobre os dois principais pilares de crescimento da empresa: smartphones e veículos elétricos. O presidente Lu Weibing mencionou que a empresa está enfrentando uma forte concorrência e um aumento acentuado nos custos de componentes, ao mesmo tempo que investe em dispositivos premium e serviços de inteligência artificial. Segundo a companhia, esses fatores resultaram na queda de quase 19,2% nas remessas globais de smartphones, totalizando 33,8 milhões de unidades.
Qual o diferencial do novo modelo de negócios?
A Xiaomi está se adaptando ao ambiente desafiador ao ajustar rapidamente suas linhas de produtos e limitando, quando possível, os aumentos de preços em modelos antigos. Em paralelo, a empresa também acelerou os lançamentos de smartphones de ponta e está explorando dispositivos que utilizam inteligência artificial. Os custos dos chips de memória aumentaram significativamente, com contratos subindo cerca de cinco vezes desde o 3º trimestre do ano passado, o que deverá impactar ainda mais os setores de eletrônicos de consumo.
A empresa lançou um novo programa de recompra de ações de até HK$ 20 bilhões (US$ 2,5 bilhões) e já havia recomprado aproximadamente 400 milhões de ações por HK$ 14,6 bilhões (US$ 1,86 bilhão) no programa anterior. Além disso, a margem bruta no setor de smartphones caiu para 10,1%, um recuo de 2,3 pontos percentuais. O impacto dos custos elevados e da concorrência ainda deverá se refletir em resultados futuros.
Como se compara ao concorrente?
Em comparação com outras empresas do setor de smartphones, a Xiaomi enfrenta um cenário de queda acentuada nas remessas, o que a colocou em posição delicada. Dados da IDC mostraram que as remessas globais de smartphones caíram 4,1% no primeiro trimestre, marcando o fim de uma sequência de 10 trimestres de crescimento. Apesar do aumento no preço médio de venda, a empresa ainda apresenta desafios em manter competitividade diante de marcas como Apple e Samsung.
Historicamente, a Xiaomi se destacou por oferecer produtos com bom desempenho a preços competitivos, um diferencial que pode estar sendo ameaçado por custos mais altos e pela necessidade de premiumização. O desafio de conjugar preços acessíveis com inovação continua a ser um ponto crucial para a empresa, que busca se reinventar em um mercado cada vez mais saturado.
O que muda com o novo foco automotivo?
No setor automotivo, a Xiaomi entregou 80.856 veículos no primeiro trimestre, o que representa uma queda significativa de 44,3% comparado ao trimestre anterior. A empresa reafirmou a meta de entregar 550 mil veículos ao longo do ano. O preço médio das vendas de veículos caiu, refletindo ajustes necessários para competir com outros fabricantes de carros elétricos, como a Tesla.
O diretor financeiro Lin Shiwei revelou que, além disso, a Xiaomi planeja investir 16 bilhões de yuans (US$ 2,4 bilhões) em inteligência artificial e tecnologia embarcada para 2026. A pressão para reverter a trajetória de prejuízos é alta, especialmente com a queda da margem bruta no segmento automotivo registrada em 20,1%, refletindo as dificuldades operacionais que a empresa enfrenta no setor.
As inovações apresentadas e a entrada do YU7, lançado recentemente, visam não apenas renovar a linha de produtos, mas também reposicionar a marca no concorrido mercado de veículos elétricos. O foco em modelos com inteligência artificial deve impactar positivamente a interação do usuário com os veículos, potencializando a experiência e trazendo novos clientes.



