O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está avaliando o cenário global antes de decidir sobre o convite feito pelo presidente Donald Trump para integrar um novo conselho internacional de paz voltado à reconstrução de Gaza. O governo brasileiro, por sua vez, adota uma postura cautelosa diante da iniciativa dos Estados Unidos, aguardando o posicionamento de outros países antes de formalizar uma resposta. A proposta apresentada por Washington é vista com prudência em Brasília, que considera necessário analisar os detalhes do projeto antes de tomar uma decisão concreta.
Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, a maior parte dos países convidados está adotando uma postura semelhante à do Brasil, observando os movimentos iniciais e analisando o conteúdo do documento apresentado pelos Estados Unidos. A iniciativa, proposta como um fórum para discutir questões de paz internacional com foco na Faixa de Gaza, visa reunir líderes e representantes globais para supervisionar a reconstrução e governança do território palestino, devastado após anos de conflito entre Israel e o grupo Hamas.
Diplomatas relatam que o texto enviado pela Casa Branca não foi apresentado como base para negociação, mas como um projeto fechado, levando os governos a avaliar os termos complexos e a testar o ambiente político internacional antes de assumir compromissos. A Argentina é apontada como um dos países mais propensos a aderir rapidamente à proposta, demonstrando disposição em seguir iniciativas dos Estados Unidos, ao contrário de outras nações que preferem aguardar uma definição mais clara do projeto.
A composição final do conselho, que inclui diversos líderes mundiais, ainda não foi completamente esclarecida. Auxiliares do presidente brasileiro ressaltam a necessidade de uma análise minuciosa dos objetivos do grupo, dos possíveis custos e de como a proposta se relaciona com organismos multilaterais como a ONU. Preocupa o governo brasileiro o possível esvaziamento do papel da ONU em processos de mediação e reconstrução em áreas de conflito, caso a nova iniciativa seja implementada.
Outro ponto sensível para o governo Lula é o modelo de governança proposto, que prevê forte concentração de poder na presidência do conselho, exercida por Donald Trump, com a possibilidade de mandatos vitalícios. Além disso, a ausência de representantes palestinos entre os membros anunciados levanta dúvidas sobre a compatibilidade da iniciativa com os princípios do multilateralismo. Há também incertezas quanto ao escopo do novo órgão, se ele se limitará à situação em Gaza ou terá uma abrangência mais ampla.
Diante desse cenário, o governo brasileiro segue a orientação de cautela, considerando não apenas o conteúdo da proposta, mas também a reação da comunidade internacional e os desdobramentos diplomáticos de uma eventual adesão ao conselho liderado pelos Estados Unidos. A análise detalhada dos objetivos, custos e implicações políticas e diplomáticas é essencial antes de uma decisão final ser tomada. A posição do Brasil será influenciada pelo panorama internacional e pelas implicações de participar de um conselho liderado pelos Estados Unidos.




