A última pesquisa da Genial/Quaest, divulgada na quarta-feira, 11, indicou que a desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na região Sudeste ampliou quatro pontos em apenas um mês. Segundo o levantamento, 58% dos sudestinos reprovam a atual gestão, o que pressiona a formação de palanques estaduais capazes de propulsar a reeleição do petista contra Flávio Bolsonaro (PL).
Informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que o Sudeste é decisivo para conquistar o pleito federal — com mais de 65 milhões de eleitores, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo representam 46% do volume total de votos do Brasil. A urgência de melhorar a capilaridade na região foi reconhecida pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) ao dizer, em entrevista para a CNN na quinta-feira, 12, que ‘a eleição se decide no Sudeste’.
Para o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, a conjectura é significativa e coage Lula a formar chapas estaduais competitivas que ‘criem identidade com o seu governo e sua própria candidatura’. ‘E os palanques não se resumem aos governadores estaduais, mas também nos senadores e até mesmo aos deputados federais e estaduais’, ressaltou à IstoÉ.
A frente do maior colégio eleitoral do Brasil, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chega em 2026 com bons índices de aprovação e pesquisas de intenção de voto favoráveis a sua reeleição. O último levantamento do Real Time Big Data mostrou que Tarcísio era preferido por 47% do estado, porcentagem que acompanha projeções de outros institutos.
‘Haddad sabe que dificilmente vai vencer, mas ele vai buscar um número significativo de votos para ajudar nessa transferência [para Lula], e de preferência que não permita que o Tarcísio fature já a eleição em primeiro turno, porque isso tornaria o palanque muito mais fácil para o candidato da oposição’, completa Leandro Consentino.
No estado carioca, o candidato para governador apoiado por Lula angaria boa vantagens nas pesquisas — prefeito da capital, Eduardo Paes (PSB) é o favorito e deve enfrentar Douglas Ruas (PL) na corrida pelo Palácio Guanabara. Leandro Consentino explica que Paes serve como um cabo eleitoral importante para o atual presidente, mas a falta de popularidade fora da capital será um ‘desafio para ambos’.
As últimas eleições mostraram que a preferência do eleitorado em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil, costuma ser replicada nacionalmente — o presidenciável que se elege no estado mineiro frequentemente é consagrado vencedor. Renato Meirelles explica que cenário não é uma coincidência: ‘Minas tem cara de termômetro federal porque mistura interior, metrópole, indústria, serviço e classe média espremida. É um Brasil em miniatura.’
No Espírito Santo, o candidato de Lula é o deputado Helder Salomão (PT), que soma pouco mais de 10% das intenções de votos, segundo levantamento de março do Paraná Pesquisas. A preferência capixaba ainda é diluída, mas o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), lidera todas as simulações recentes e concretiza favoritismo.




