Lula conversou com vice de Maduro logo após a prisão do ditador, conforme informações divulgadas pelo Planalto. Segundo integrantes do governo, a conversa foi breve e teve o intuito de confirmar os relatos sobre a captura de Nicolás Maduro, anunciada pelos Estados Unidos. A ligação ocorreu entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, no último sábado (3) pela manhã, de acordo com o comunicado oficial do Planalto.
Após a conversa, Delcy Rodríguez confirmou a captura de Maduro, mas ainda não dispunha de detalhes sobre o paradeiro do ditador. Em resposta à ação norte-americana, o governo brasileiro emitiu uma nota condenando a intervenção armada na Venezuela. Os canais diplomáticos entre Brasil e Venezuela já estavam fragilizados desde a reeleição de Maduro em julho de 2024, quando o país questionou o resultado eleitoral divulgado por Caracas e solicitou a apresentação das atas, o que não foi atendido pelo regime de Maduro.
Além disso, o Brasil havia se posicionado contrário à entrada da Venezuela no Brics, bloco econômico composto por Brasil, Índia, China, Rússia e outros sete países. No Conselho de Segurança da ONU, o Brasil reiterou sua condenação à intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro. O embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese, destacou a importância de não aceitar o argumento de que os fins justificam os meios, ressaltando a necessidade de respeitar a soberania nacional e a ordem internacional estabelecida pela Carta da ONU.
O posicionamento do Brasil foi respaldado pela nota assinada por Luiz Inácio Lula da Silva, que condenou veementemente o ataque à Venezuela como uma grave violação do direito internacional. O embaixador rejeitou de forma categórica a intervenção armada, alertando para as ameaças que tais ações representam para a comunidade internacional. O uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de um Estado vai de encontro aos princípios da Carta da ONU e pode desencadear um cenário de violência e desordem contrário aos ideais de paz e prosperidade no século XXI.




