Durante uma entrevista ao podcast Meteoro Brasil na quarta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de “irresponsável” a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora brasileira no país. A fala de Lula surge em um momento de crescente tensão diplomática entre Brasil e EUA, refletindo as relações bilaterais que vêm se deteriorando nos últimos tempos.
O presidente enfatizou que a revogação do visto é um gesto que fere a tradição diplomática que ambos os países compartilham há 203 anos. “Eles [Estados Unidos] tomaram a atitude de cassar o visto da nossa embaixadora. Se ela sair para cá, ela vai ter que tirar visto outra vez”, afirmou Lula, mostrando descontentamento com a medida.
Lula aproveitou a oportunidade para criticar a falta de ação dos Estados Unidos na nomeação de um novo embaixador para Brasília. Ressaltou que já se passou um ano e meio desde que a administração do presidente Joe Biden começou, e a ausência do representante americano no Brasil mostra desinteresse. “Tenta mandar e acha que a gente tem a obrigação de fazer a data que eles querem? Não é correto e não é possível, nós queremos ser tratados com respeito”, declarou.
Referindo-se também às eleições brasileiras, Lula se posicionou contra qualquer tentativa de interferência externa no processo eleitoral do país. Ele assegurou que o Brasil está preparado para enfrentar qualquer ação de influência externa, reafirmando a soberania do país sobre suas decisões políticas internas.
Na mesma conversa, Lula recordou de um encontro que teve com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no qual foi feito um pedido para revogar sanções impostas a autoridades brasileiras. Segundo Lula, esse pedido não foi atendido, refletindo a dificuldade nas relações diplomáticas e a falta de apoio americano.
Além disso, ele mencionou que o Itamaraty negou vistos a dois cidadãos americanos que, segundo informações, planejavam viajar ao Brasil para investigar o sistema eleitoral. “O Itamaraty, corretamente, negou o visto para eles”, afirmou o presidente, referindo-se à importância de proteger o processo democrático brasileiro.
Lula também deu orientações ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para que não haja mais reuniões com embaixadores até o final das eleições. “Eu disse ao Mauro: até a eleição eu não recebo mais embaixador. Só depois da eleição”, indicou, destacando a necessidade de foco nas questões internas antes de se envolver com diplomatas estrangeiros.
A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos se intensificou após a revogação do visto da embaixadora brasileira, uma ação que Lula considera desrespeitosa. A deterioração das relações entre os dois países coincidiu com a campanha eleitoral brasileira, quando ações políticas do governo Trump, como tarifas sobre produtos brasileiros, foram vistas como intervenção nas questões internas do Brasil.



