O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não comparecerá à posse de Abelardo De la Espriella (Defensores de la Patria, direita) como novo presidente da Colômbia, marcada para 7 de agosto em Cali. Em seu lugar, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, será o representante do Brasil durante a cerimônia.
Apesar de Lula ter parabenizado De la Espriella pela eleição em uma publicação no X, os dois não tiveram conversas oficiais até o momento. Em contrapartida, Lula mantém uma relação próxima com o atual presidente colombiano, Gustavo Petro (Colômbia Humana, esquerda), com quem conversou por telefone nesta quarta-feira, 5 de agosto.
A ascensão de De la Espriella e de Keiko Fujimori no Peru sinaliza um movimento crescente de direita na América do Sul, onde atualmente 7 países possuem governantes de direita ou centro-direita. Na ocasião, Lula também não esteve presente à posse de Keiko, sendo representado por Mauro Vieira.
Após o resultado das eleições colombianas, a tensão entre Petro e De la Espriella aumentou. Segundo o novo presidente, o ex-presidente Petro teria articulado um “golpe de Estado” para tentar permanecer no poder após o término de seu mandato.
Anteriormente a essas declarações, De la Espriella suspendeu o processo de transição com a equipe de Petro, interrompendo as reuniões técnicas que estavam sendo avançadas desde a semana anterior. Petro, por sua vez, alegou irregularidades na votação e na contagem de votos, afirmando que “o atual presidente da Colômbia está diante das evidências de uma fraude eleitoral por via algorítmica e com financiamento estrangeiro proibido pela nossa Constituição”.
Apesar das alegações de Petro, o candidato do governo, Iván Cepeda, reconheceu o resultado das eleições, mas anunciou a intenção de adotar uma postura de “desobediência civil” caso o novo governo mantenha alinhamento com a política dos Estados Unidos.
Conforme nota divulgada pelo Planalto, Lula telefonou para Gustavo Petro em 5 de agosto para se despedir. O presidente brasileiro “agradeceu pelo diálogo produtivo e pela estreita cooperação” mantidos durante o tempo em que estiveram à frente de seus países, refletindo a vontade de continuar o relacionamento próximo entre Brasil e Colômbia.
Recentemente, os dois líderes haviam dialogado há cerca de um mês para discutir a situação política da Colômbia, enfatizando a importância das relações diplomáticas entre os países sul-americanos.



