O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu, nesta quinta-feira, 19, o escândalo das fraudes no Banco Master ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central indicado por ele. O petista usou como argumento o fato de o BC ter autorizado, em 2019, a transferência do controle societário do Banco Máxima, que viria a se tornar o Master, para Daniel Vorcaro, que está preso na superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Ainda assim, o ex-chefe da autoridade monetária teria sido alertado durante anos de que o Banco Master, liquidado apenas em novembro de 2025, sob a gestão de Gabriel Galípolo, estava se expandindo em um ritmo alarmante enquanto detinha ativos obscuros. Cartas de advertência foram enviadas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), ao mesmo tempo em que, segundo suspeitas da PF, Vorcaro era favorecido por dois funcionários de carreira do BC atualmente afastados dos cargos.
Lula disse que existe uma “promiscuidade generalizada em todos os partidos” e que a política “apodreceu”, o que o estimula a lançar a sua candidatura simbolicamente em algum “portão de fábrica”, como fez na corrida presidencial de 1989. Reclamou ainda da resistência de auxiliares em concordarem com a abertura da CPI do INSS, que apura descontos indevidos em aposentadorias.
A declaração de Lula foi feita em meio a um desabafo sobre cobranças em cima do governo durante anúncio da candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao governo de São Paulo. O maior prejuízo de imagem, contudo, tem sido motivado nas últimas semanas por supostas relações mantidas por um de seus filhos, Fábio Luís, conhecido como “Lulinha”, com Vorcaro.
Lula fez um relato do modo como convenceu Haddad a entrar na disputa:
— Eu tive uma conversa com Haddad e disse o seguinte: a situação política do Brasil e do mundo é tão grave que se a gente não pegar as melhores pessoas que a gente tem em cada estado e fazer a luta pela democracia, corremos o risco de entregar mais uma vez a democracia na mão dos fascistas que fizeram um estrago tão grande — disse ele.
Haddad alegou que entra na disputa para ganhar e que foi escolhido dentro de um debate sobre o “melhor arranjo para apresentar a São Paulo, com as melhores chances de vitória e de transformação do nosso estado”.
O PT anunciou, nesta quinta-feira, 19, a pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo do estado de São Paulo. O partido repete, assim, a estratégia adotada há quatro anos, quando o político chegou ao segundo turno, mas foi derrotado pelo atual ocupante do cargo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Campos Neto, até o momento, não é apontado como investigado pela PF.



