Lula x Flávio Bolsonaro em empate técnico: as últimas horas antes da votação mais polarizada da história

Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT)
A votação acontece neste domingo (4), com eleições para presidente, governador, senador e deputado federalA votação acontece neste domingo (4), com eleições para presidente, governador, senador e deputado federal. Após o encerramento da propaganda eleitoral na quinta-feira (1º), o eleitor vai às urnas diante de um cenário político altamente polarizado e com empate técnico em várias disputas.

Informações essenciais para o dia da votação

Neste domingo (4) acontece o primeiro turno das Eleições 2026. A votação ocorre das 8h às 17h, no horário de Brasília. O eleitor vai escolher seis cargos na urna eletrônica, nesta ordem: deputado federal, deputado estadual/distrital, senador (1ª vaga), senador (2ª vaga), governador e vice-governador, presidente e vice-presidente.

LEIA TAMBÉM 

Os documentos aceitos são: carteira de identidade (RG), CNH, passaporte, carteira de trabalho, certificado de reservista e documentos oficiais de identidade profissional, mesmo vencidos, desde que seja possível comprovar a identidade. Certidão de nascimento e certidão de casamento não são aceitos. O título de eleitor não é obrigatório, mas facilita a localização da seção eleitoral.

Caso nenhum candidato a presidente ou governador alcance mais de 50% dos votos válidos (excluindo brancos e nulos), o segundo turno será realizado em 25 de outubro.

A propaganda eleitoral foi encerrada na quinta-feira (1º). Antes disso, pesquisas já indicavam que 78% dos eleitores diziam estar “totalmente decididos” sobre o voto para presidente. Vale destacar que circula nas redes sociais uma informação falsa de que eleitores de Lula não votam neste domingo — o que não procede.

Disputa presidencial: empate técnico e quadro altamente consolidado

A corrida presidencial se concentra entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com empate técnico na maioria das pesquisas.

Flávio Bolsonaro × Lula

Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT)

Segundo o Datafolha divulgado em 30 de setembro, Lula tem 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 38% de Flávio. Em simulação de segundo turno, Lula aparece com 48% contra 45% — dentro da margem de erro. A pesquisa Meio/Ideia do mesmo período mostra Lula com 39,4% e Flávio com 38,4% no primeiro turno, e 48,5% a 48% no segundo. Já o Quaest (24 a 27 de setembro) aponta Lula com 39% e Flávio com 34% no primeiro turno, e empate de 42% a 42% no segundo.

A divisão regional é bastante acentuada.No Nordeste, Lula tem vantagem expressiva — Pernambuco (58% a 20%), Ceará (55% a 23%), Bahia (58% a 23%) e Maranhão (59% a 22%). Já em São Paulo e no Rio de Janeiro, Flávio lidera, com 36% a 30% e 38% a 31%, respectivamente.

O eleitorado de ambos os lados está altamente consolidado. Lula tem 36% de eleitores fiéis, e Flávio, 33%. No entanto, as rejeições são elevadas: 50% rejeitam Lula e 51% rejeitam Flávio. Pesquisa Indexa/Broadcast mostra que 40% dos entrevistados têm mais medo de “mais um mandato de Lula”, enquanto 39% temem “a volta da família Bolsonaro ao poder”. Isso significa que mais da metade do eleitorado vota, em alguma medida, para “impedir” o adversário, e não apenas por apoio ao próprio candidato.

Eleições estaduais: vários cenários definidos, outros ainda indefinidos

As disputas estaduais apresentam dois cenários distintos. Pelo menos 14 estados podem definir o governador já no primeiro turno, enquanto outros tantos seguem com disputas acirradas.

São Paulo é o caso mais claro. Segundo Datafolha e Quaest, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera com cerca de 20 pontos de vantagem sobre o ex-ministro Fernando Haddad (PT) — em torno de 50% a 30% (56% a 34% em votos válidos). Em simulação de segundo turno, Tarcísio vence por 55% a 36%.

Tarcísio (Republicanos) e Hadadd (PT)

Tarcísio (Republicanos) e Hadadd (PT)

No Rio de Janeiro, a disputa teve mudança relevante. Eduardo Paes (PSD) lidera com 47% dos votos válidos contra 35% de Douglas Ruas (PL), mas a vantagem caiu de 28 para 12 pontos percentuais.

Pernambuco é um dos estados mais competitivos: Raquel Lyra (PSD) tem 50% dos votos válidos contra 47% de João Campos (PSB) — empate técnico na prática.

No Paraná, pode haver troca de ciclo político. Sergio Moro (PL) lidera na maioria das pesquisas, com cerca de 40% a 50% dos votos válidos, à frente de Sandro Alex (PSD), com 32%, e Requião Filho (PDT), com 26%. Analistas apontam que, se Moro vencer, será a primeira vez desde 2010 que o grupo político que domina o estado perde o poder.

Sérgio Moro (PL), Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT)

Sérgio Moro (PL), Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT)

No cenário partidário, o PSD tem o maior número de candidatos competitivos a governador (6), seguido pelo PL (5), PT e PP (4 cada).

Senado e Congresso: o campo decisivo que passa despercebido

Congresso Nacional

Congresso Nacional

Embora a eleição presidencial concentre as atenções, a disputa ao Senado é vista por analistas como decisiva para o equilíbrio de poder nos próximos anos.

Neste ano, serão renovadas 54 cadeiras do Senado (dois terços). Cada eleitor vota em dois candidatos — e os dois votos precisam ser em candidatos diferentes, caso contrário o segundo voto é anulado. Pesquisa Quaest mostra que 45% dos eleitores não sabem que podem votar em dois senadores.

Um dos temas centrais da disputa ao Senado é a possibilidade de impeachment de ministros do STF. Após o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e sua relação com ministros, pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e outros ministros passaram a ser pauta de campanha, especialmente entre aliados de Flávio Bolsonaro. O PL, que hoje tem 15 senadores, tenta ampliar a bancada para viabilizar a presidência do Senado.

Na Câmara, as 513 cadeiras serão totalmente renovadas. Um dos pontos centrais para os partidos é superar a cláusula de barreira — eleger ao menos 11 deputados federais distribuídos em 9 estados ou obter 2% dos votos nacionais, com pelo menos 1% em 9 estados, para manter acesso ao fundo partidário e ao tempo de TV.

Análise profunda: polarização, medo e pressão sobre as instituições

Esta eleição pode ser compreendida a partir de três dimensões centrais: Primeiro, o voto de medo como lógica dominante. A pesquisa Indexa/Broadcast revela um dado crucial: apenas 38% dos eleitores dizem votar principalmente para “escolher o candidato de sua preferência”, enquanto 22% afirmam que votam para “impedir a eleição de outro candidato”, e outros 32% consideram as duas motivações igualmente importantes. Ou seja, mais da metade do eleitorado é movida, em alguma medida, pelo desejo de bloquear o adversário. O cientista político Elton Gomes descreve esse fenômeno como uma “eleição ontológica”, em que a identidade política se confunde com a própria identidade pessoal, tribal e até religiosa, enfraquecendo o debate programático.

Segundo, a crescente imbricação entre Justiça e processo eleitoral: A crise interna no STF — incluindo os desdobramentos do escândalo Vorcaro e os embates sobre os procedimentos de investigação contra os próprios ministros — colocou a corte no centro da narrativa eleitoral. Gilmar Mendes chegou a criticar, em plenário, o que chamou de “envolvimento indevido do tribunal na campanha”. Ao mesmo tempo, a possibilidade de impeachment de ministros é tema central na disputa ao Senado. A Justiça deixa de ser apenas árbitra e passa a ser tema da disputa.

Terceiro, estabilidade das pesquisas na presidência, mas incerteza nos estados. Apesar do empate técnico persistente no plano presidencial, há percentuais relevantes de eleitores indecisos nas disputas estaduais. Em São Paulo, 25% dizem que ainda podem mudar o voto; no Rio, 27%; em Minas Gerais, o índice de “indecisos” chega a 41% em pesquisas espontâneas. Na corrida ao governo de São Paulo, 78% dos eleitores dizem que a decisão é “definitiva”, mas 22% seguem abertos a mudanças. Esse espaço de oscilação, embora menor na disputa presidencial, ainda pode alterar o resultado em vários estados.

A votação termina às 17h deste domingo. Os primeiros resultados devem começar a ser divulgados poucas horas após o encerramento. As disputas que não forem definidas no primeiro turno, para presidente e governos estaduais, serão decididas no segundo turno, em 25 de outubro.

MAIS LIDAS
Volkswagen Saga, primeiro híbrido leve da marca no Brasil, chega
Carreta tombou na BR-381, congestionamentos se formam na saída de
Acidente entre carretas na BR-381 interdita pista e causa congestionamento
Associação Brasileira de Imprensa condena ataque à liberdade de expressão
BYD apresenta Ti7 na Europa com design boxy e motorização