Quando Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina da Venezuela, ela usava um vestido de grife italiana avaliado em cerca de R$ 3.800, mostrando a existência de um mercado de luxo resistente no país. Apesar de o preço ser alto para a maioria dos venezuelanos, a alta renda sobrevive com a dolarização da economia. Caracas conta com distribuidores oficiais de marcas como Rolex e uma galeria de roupas de luxo, como a Galeria Avanti. Além disso, uma concessionária da Ferrari expõe carros de luxo na cidade. A ‘ilha’ de riqueza em Las Mercedes contrasta com a crise econômica que assola o país.
A elite venezuelana, composta por cerca de 6% da população, sustenta o mercado de luxo. Empresários, políticos e indivíduos que temem o congelamento de seus recursos são os principais consumidores. A dolarização facilitada pelo governo de Nicolás Maduro permitiu que esses setores mantivessem seu poder de compra. A desigualdade social no país remonta a décadas, com a economia dependente do petróleo, gerando contrastes entre riqueza e pobreza.
A partir dos anos 1920, a Venezuela viu sua economia crescer impulsionada pelo petróleo, o que aumentou a desigualdade. Com as crises dos anos 1980 e a ascensão de Hugo Chávez, houve tentativas de distribuir melhor a renda. No entanto, a corrupção, sanções estrangeiras e a crise da estatal PDVSA aprofundaram a crise. A história da Ferrari no país reflete as oscilações econômicas, com fechamentos e reaberturas de concessionárias ao longo dos anos.
A presença de grifes de luxo e carros esportivos em meio à crise venezuelana evidencia a disparidade social existente no país. As classes alta e média alta continuam consumindo produtos de luxo, mesmo diante das dificuldades financeiras. O mercado de luxo é impulsionado por uma elite que busca proteger seus recursos e manter um padrão de vida elevado. Enquanto a maioria enfrenta desafios econômicos, a ‘ilha’ de riqueza em Caracas destaca as complexidades da sociedade venezuelana.




