O presidente da França, Emmanuel Macron, intensifica sua ofensiva na Índia em busca de novos aliados estratégicos em meio a um cenário de crescente tensão geopolítica e reconfiguração das alianças globais. Sua visita ao país ocorre logo após participar da Conferência de Segurança de Munique, onde alertas foram feitos sobre a fragilidade das relações transatlânticas e a defesa de maior autonomia estratégica europeia. Macron planeja consolidar a relação da França com a Índia, o país mais populoso do mundo, em um momento de pressões sobre o multilateralismo e a busca por diversificação de parceiros globais.
Uma das principais metas da visita é avançar nas negociações para a venda de mais de 100 caças Rafale à Força Aérea Indiana, em um possível acordo que pode atingir dezenas de bilhões de euros e se tornar um dos maiores contratos de defesa firmados pela França. A comitiva presidencial, que inclui executivos de empresas como Dassault Aviation e Eutelsat, reflete a prioridade estratégica de expandir a presença francesa nos setores de defesa e tecnologia espacial na Ásia.
A França identifica na Índia uma ambição compartilhada de maior soberania e independência estratégica, principalmente na defesa. Em um contexto em que países buscam reduzir dependências de Washington e Pequim, a aproximação entre franceses e indianos se torna estratégica. Além do aspecto militar, Macron participará de uma cúpula sobre inteligência artificial, buscando promover padrões globais alternativos aos moldados pelos EUA ou China.
A agenda da visita inclui ainda discussões sobre a venda de reatores nucleares e o aprofundamento de laços culturais, como a possível parceria entre o Festival de Cannes e a indústria cinematográfica de Bollywood. O esforço diplomático visa abrir novos mercados para empresas francesas e reduzir a dependência de polos tradicionais como Pequim e Washington. A aproximação franco-indiana ocorre em um momento no qual a política internacional está em transformação, com países europeus buscando novos parceiros estratégicos.
Macron busca posicionar a França como um ator relevante em um sistema internacional cada vez mais fragmentado, onde a autonomia estratégica, tecnologia e defesa são centrais para o poder. Com a instabilidade nas relações transatlânticas, a França está disposta a ampliar sua presença no Indo-Pacífico e a consolidar parcerias que sustentem seus interesses econômicos e geopolíticos a longo prazo. Esta estratégia visa reafirmar o papel da França como uma potência global relevante em um mundo em constante transição.




