O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou a mãe do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega por participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à organização criminosa do miliciano. Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora de Flávio Bolsonaro, usou um spa de sobrancelhas para ocultar e movimentar recursos ilícitos, incluindo o jogo do bicho.
A investigação aponta que Raimunda usou a empresa S. C. da Silva Estética Pessoal para lavar dinheiro. O spa estava ligado a Shirlei Costa da Silva, irmã de Márcio Carneiro, operador financeiro da organização criminosa, movimentando R$ 2 milhões em seis meses, com saques suspeitos.
Raimunda, que foi assessora de Flávio Bolsonaro entre 2016 e 2018, é peça central no esquema. Ela e Tatiana Soares Dias usaram contas de uma pizzaria para ocultar valores oriundos de atividades ilícitas. A empresa controlada por Raimunda recebeu R$ 271,1 mil, sendo a maioria em dinheiro vivo.
Na Operação Legado, o Ministério Público denunciou vários suspeitos de integrar a organização criminosa, incluindo o deputado federal Juninho do Pneu. A investigação revela o uso de empresas de fachada, como um depósito de bebidas e um restaurante, para movimentar recursos ilegais e dificultar o rastreamento.
“Entre os empreendimentos de fachada constam um depósito de bebida, um bar e um restaurante. Os investigadores se depararam com um quiosque de serviços de sobrancelha localizado em um shopping na zona norte, cuja conta registrou em seis meses aproximadamente R$ 2 milhões em créditos”, afirmou o órgão.
O esquema envolveu movimentação de cerca de R$ 8,5 milhões por empresas ligadas ao grupo. A investigação reforça o uso de negócios formais para dar aparência legal a recursos de origem criminosa, evidenciando a complexidade das operações ilegais envolvidas.
A denúncia contra Raimunda Veras Magalhães e outros envolvidos amplia o alcance das investigações, apontando para a sofisticação do esquema de lavagem de dinheiro utilizado pela organização criminosa do miliciano Adriano da Nóbrega.
A utilização de estabelecimentos comerciais como fachada para os ilícitos financeiros revela uma estrutura empresarial voltada à dissimulação de recursos e dificulta a identificação dos responsáveis. O MP continua a investigação em busca de mais evidências e envolvidos no esquema criminoso.
A complexidade e alcance das operações ilícitas envolvendo a lavagem de dinheiro demonstram a necessidade de intensificar a fiscalização e punição de práticas criminosas, ressaltando a importância do combate à corrupção e à atuação de organizações criminosas no Brasil.



