Mãe denuncia expulsão de filho com autismo em Juazeiro do Norte: Escola alega agressões.

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Mãe denuncia escola após filho com autismo ser expulso, em Juazeiro do Norte

Segundo a escola, no entanto, o estudante teria agredido dois alunos e uma professora.

A mãe de um adolescente de 12 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) denuncia que o menino foi expulso da escola particular em que estudava após ter uma crise e “empurrar” outro aluno e uma professora. A mãe registrou um boletim de ocorrência contra a instituição de ensino e alega que, antes do episódio, a escola não vinha fornecendo o acompanhamento adequado à criança.

O caso ocorreu em um colégio particular da cidade de Juazeiro do Norte, Cariri cearense, na manhã desta quarta-feira (11). Ao DE, o Colégio Domum disse que o estudante foi expulso após agredir dois colegas e uma professora de Educação Física, o que “vai contra o regimento interno da instituição”.

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A mãe do menino, a professora Joelma Oliveira, diz que a escola tentou impedir que ele assistisse aula nesta quarta-feira, antes ainda de receber qualquer documento formal de rescisão de matrícula, por isso a Polícia Militar foi acionada. Ele acabou assistindo às aulas normalmente e, após o fim das aulas, a mãe recebeu oficialmente o informe de rescisão.

Como a Polícia Militar esteve no local, o DE procurou a Secretaria da Segurança Pública (SSPDS) para comentar a situação. A pasta informou que a PM iria se manifestar. A reportagem aguarda resposta.

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Joelma Oliveira é mãe do adolescente envolvido no caso. Ela explica que o filho tem suporte de nível 1 de autismo, considerado mais “leve”, com diagnóstico também de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e Altas Habilidades.

Ela conta que, já no ato de matrícula, informou a unidade escolar sobre as necessidades do filho, entregou os laudos e disponibilizou inclusive o contato da equipe terapêutica que acompanha o menino para qualquer tipo de aconselhamento ou adaptação na rotina escolar.

Joelma também destacou a necessidade de um professor especializado para ajudar o jovem no desenvolvimento das altas habilidades e um assistente em sala para acompanhá-lo se necessário. Ela disse que a escola nunca disponibilizou nenhum dos dois profissionais, mas mesmo sem acompanhamento o filho estava frequentando as aulas normalmente.

Na última quarta-feira (4), o menino iniciou uma nova medicação para o TDAH, e a família avisou a escola, mas tudo transcorreu sem problemas. Na segunda-feira (9), segundo a família, durante uma aula de Educação Física, o menino teria ficado ansioso devido ao barulho e à competição.

Em determinado momento, quando a professora foi falar com ele, o menino a teria afastado, de acordo com a mãe. Na sequência ele também teria empurrado outro estudante que passava próximo para afastá-lo. “Foi aquela coisa do ‘ó, por favor se afasta’, então empurro pra me afastar, mas não foi sequer um empurrão que chegou a derrubar ninguém”, afirma.

Ao DE, o Colégio Domum apresentou outra versão e disse que o estudante teria dado um soco nas costas do outro estudante e, quando foi repreendido pela professora, socou os seios dela.

Conforme apuração do DE, o momento foi registrado por câmeras de segurança, porém, a reportagem não teve acesso às imagens e não pôde verificar de maneira independente o ocorrido.

Joelma conta que logo após o episódio na aula de Educação Física, foi chamada à escola e conversou com a coordenadora pedagógica, que teria informado do acontecido e mostrado o vídeo, mas sem maiores repercussões.

Na terça-feira (1), porém, ao deixar o filho na escola, a mãe foi chamada para uma reunião com a diretora da escola, que então teria comunicado a expulsão do jovem. A instituição, no entanto, teria se recusado a emitir um documento em que confirmava a rescisão do contrato.

Como não recebeu nenhum aviso formal de rompimento de contrato, Joelma levou o filho para a aula nesta quarta-feira (11). Ao chegar lá, ela foi novamente abordada pela equipe da escola para informar que ele não era mais aluno e, portanto, não poderia assistir aula. A mãe, então, acionou a Polícia Militar para acompanhar a situação, uma vez que o jovem continuava matriculado na escola.

A professora conta que, após a chegada da PM, a escola deixou que o menino assistisse às aulas do dia. Ao fim do expediente escolar, a equipe do colégio teria finalmente entregue a ela os documentos comunicado a expulsão.

“Meu filho não é um agressor, ele teve um momento de desregulação. Eu estive na escola, tanto que eu o levei para casa em sequência, exatamente para observar, e foi super tranquilo o restante do dia, e ela [a diretora] o tempo inteiro falando como se tivesse tido algo de extrema violência”, disse.

Para Joelma, o episódio revela uma sequência de problemas, como a falta de capacitação de profissionais de educação para lidar com pessoas com necessidades especiais e o preconceito e falta de disposição das unidades de ensino para acolher alunos neurodivergentes.

“Elas [escolas] não querem capacitar, elas não querem contratar profissionais especializados, elas não querem fazer o PEI, que é o Plano Educacional Individualizado, para os alunos. Então, o que eu quero é que isso não aconteça mais, nem com ele, nem com outro criança”, disse.

O Colégio Domum disse que o estudante de 12 anos teria se envolvido em mais de um caso de agressão. Primeiro, o menino teria dado um chute em um colega na sala de aula. A família afirmou que, se o episódio ocorreu, eles não foram informados.

A escola disse então que, algum tempo depois, ocorreu o episódio na aula de Educação Física. No dia seguinte, o jovem foi expulso. A escola nega que a expulsão do adolescente tenha a ver com o seu diagnóstico.

“Nós temos várias crianças atípicas aqui (…) Mas nós temos um regimento interno que fala justamente sobre agressão física [que é proibido]. E o regimento interno é para todos”, diz um representante da instituição.

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