Manaus (AM) — Um protesto dramático marcou a tarde desta terça-feira (12), quando familiares de policiais militares presos tentaram impedir sua transferência para uma nova unidade prisional. A manifestação ocorreu em frente ao Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas, localizado na Avenida José Henrique Bentes Rodrigues, no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus.
A tensão tomou conta do local, com os manifestantes bloqueando a passagem dos ônibus que transportavam os presos. Imagens do DE mostram a agitação, enquanto alguns familiares deitados na rua gritavam pelo retorno de seus entes queridos, clamando por justiça e segurança. O clima foi intensificado pelo reforço da segurança na área, que incluía equipes do Comando de Policiamento Especializado (CPE) e do Batalhão de Choque, em meio à operação que visa desativar a unidade prisional.
O que motivou a transferência dos policiais militares em Manaus?
A transferência dos policiais é parte da ação denominada Operação Sentinela Maior, que envolve o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), a Polícia Militar e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). As ações foram desencadeadas após a fuga de 23 policiais militares, ocorrida em fevereiro deste ano, levando a uma revisão das condições de custódia desses agentes. A busca por maior controle e segurança levou à determinação de que eles fossem transferidos para uma nova unidade, que oferece um sistema mais rigoroso de vigilância e gestão.
O protesto surgiu no contexto da desativação do núcleo atual, que, segundo informações, deverá ser completamente encerrado após a remoção dos presos. Os familiares temem que, ao serem transferidos para unidades do sistema prisional comum, os policiais enfrentem ameaças de facções criminosas, o que, de acordo com relatos, torna os agentes vulneráveis em um ambiente onde a segurança é incerta.
De acordo com dados da justiça, o núcleo prisional atual trata-se de uma estrutura temporária, enquanto a nova unidade se destina a assegurar melhores condições e proteção. A nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM) será instalada na antiga Penitenciária Feminina de Manaus, que recentemente operava como Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec), ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).
Como os familiares reagiram à operação em Manaus?
Durante a manifestação, os sentimentos de angústia e desespero foram claramente visíveis. Com algumas mulheres levando crianças nos braços, gritos de protesto ecoaram enquanto as equipes de segurança tentavam garantir a operação. Um momento impactante registrou uma mulher em lágrimas, clamando pela segurança de seu familiar, destacando a carga emocional que esse evento trouxe para as famílias envolvidas.
Em meio a confrontos verbais com a polícia, as preocupações dos familiares eram claras: “Se eles forem transferidos, terão suas vidas em risco”. Essa demanda por segurança e proteção reflete uma realidade angustiante que muitos agentes enfrentam dentro e fora das prisões — um risco que, segundo os familiares, é resultado de um sistema prisional que não consegue assegurar a integridade dos policiais.
Quais as implicações da fuga de 23 policiais militares em Manaus?
A fuga, que ocorreu em fevereiro, suscitou investigações que resultaram na prisão de dois policiais militares suspeitos de facilitar a saída dos detentos. O encerramento das operações na atual unidade prisional é uma resposta não apenas a essa fuga, mas também a uma série de falhas na segurança e na gestão dos presos.
Os desafios enfrentados pela Polícia Militar frente aos problemas internos refletem uma situação em múltiplas camadas, onde a confiança da população na segurança pública está em jogo. Como resultado, a desativação do núcleo atual e a transferência dos presos pretendem restabelecer essa confiança, embora os familiares expressem, em protestos e palavras, suas reservas quanto à segurança e ao bem-estar dos seus entes queridos.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia a necessidade de um diálogo mais profundo com as famílias e um olhar rigoroso sobre as condições de custódia e a segurança dos policiais militares. O cenário se torna ainda mais complexo ao considerar o histórico de fugas e a falta de medidas efetivas para garantir a segurança dos detidos.
O que a nova UPPM trará para os policiais presos em Manaus?
A nova Unidade Prisional na BR-174 promete um controle mais rígido sobre os agentes, reforçando a segurança com medidas que visam prevenir novas fugas e incidentes. De acordo com a Seap, a nova estrutura permitirá um tratamento mais adequado e será menos vulnerável a ações externas por facções criminosas, além de oferecer medidas de segurança mais rigorosas para proteger os policiais.
O deslocamento dos presos para essa nova unidade é também uma resposta à preocupações expressas por órgãos governamentais e pela população, buscando garantir não apenas a custódia adequada, mas também a integridade dos profissionais da segurança pública.
A equipe do Diário do Estado esteve presente durante o crucial protesto e conversou com as famílias, que reafirmaram a urgência de uma solução que proteja seus entes queridos. As próximas semanas serão cruciais para entender a eficácia das mudanças implementadas e a resposta da população aos novos desafios nas unidades prisionais.
Nossa redação seguirá monitorando a situação e trará novas informações assim que forem confirmadas pela polícia e pelo Ministério Público, à medida que o desdobramento desse caso crítico se desenrola em Manaus.



