Manejo de plantas daninhas é essencial para altas produtividades em cana soca

Luciano Almeida fala sobre produtividade de plantação de cana soca.

Por Luciano Almeida, engenheiro agrônomo, especialista em gestão empresarial e supervisor de marketing para cana e pastagem da UPL Brasil

 

O período de colheita da cana soca – entre abril e novembro, no Centro-Sul do Brasil – desperta um alerta aos produtores rurais em relação ao risco de disseminação de plantas daninhas com potencial para reduzir consideravelmente a produtividade da plantação.

Em meio à seca e ao frio (e até geadas) que chegam ao país nessa época do ano, a colheita mecanizada tem sido feita com a cana em forma crua, o que gera um colchão de palha. E é esse colchão de palha que pode ser fator propício ao desenvolvimento de perigosas plantas daninhas, especialmente de folhas largas.

Entre os principais inimigos do agricultor estão a mamona, a mucuna, o capim-colinião e espécies de braquiária, além de plantas dos gêneros ipomoeas e merremias, que são as temidas cordas-de-viola. Essas ervas estão disseminadas pelo país e podem apresentar resistência.

Os prejuízos são grandes. A corda-de-viola, por exemplo, está presente em 50% dos canaviais. O capim-colonião, se não combatido, gera prejuízos de até 60% na lavoura, dependendo da infestação e do estágio do cultivo. Quando não há tratamento, ou o tratamento não é eficaz, alguns desses inimigos podem devastar totalmente a plantação.

Isso acontece porque as plantas daninhas geram o que chamamos de “matocompetição”: as invasoras competem com a cana-de-açúcar por água, nutrientes, espaço e luz. Tudo isso prejudica o alcance do máximo potencial do cultivo, que é duramente impactado pelas daninhas.

Nesse cenário, a cana soca exige bons herbicidas, com amplo espectro de controle, inclusive para plantas resistentes. Compostos de amicarbazona (seja em combinação com hexazinona e diuron ou adicionados ao tebutiuron) são soluções de alta eficácia para o manejo.

Esses ingredientes ativos – presentes em Dinamic e Oris, fabricados pela UPL –, formulados, têm capacidade de transpor a palha, causam baixa fotodegradação e longo período residual. O mercado brasileiro já conta com soluções de tecnologia avançada que podem proporcionar benefícios produtivos ao agricultor.

Entretanto, é preciso lembrar que o uso do herbicida deve considerar o período de colheita da cana soca: úmida, semi-úmida, semi-seca ou seca. Esses pontos são relevantes para a alocação correta das moléculas para o controle das plantas daninhas.

Os herbicidas em misturas prontas (ready mix) são recursos relevantes para auxiliar no manejo de daninhas com qualidade, proporcionando praticidade, segurança, sinergia e eficiência no uso.

Nosso país tem mais de 66 milhões de hectares de cana tratados com defensivos, considerando área cultivada, número de produtos e de aplicações, o que revela a grande preocupação que as pragas (e doenças) despertam no país. Investir em manejo eficiente é rumar à máxima qualidade do canavial e à manutenção da alta produtividade, com sustentabilidade e rentabilidade.

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