Manicure denuncia cliente por racismo em salão de beleza em Araçatuba: entenda o ocorrido.

Manicure denuncia cliente por racismo em salão de beleza em Araçatuba: entenda o ocorrido.

ARAÇATUBA (SP) — Uma manicure de 32 anos registrou boletim de ocorrência por racismo na tarde de quarta-feira (3), após ser chamada de “macaca” por uma cliente que se irritou ao não conseguir ser atendida em um salão de beleza no centro de Araçatuba, interior de São Paulo. As ofensas, captadas por câmeras de monitoramento de um estabelecimento vizinho, foram ouvidas por outras pessoas presentes no local e motivaram a denúncia na Polícia Civil.

Recusa de atendimento gerou reação violenta

Segundo o relato da profissional no Plantão Policial, a cliente havia marcado um horário para as 13h, mas perdeu o compromisso. Ao chegar no salão, exigiu ser atendida de imediato, mas a manicure informou que não seria possível devido à agenda lotada com outras clientes. A profissional sugeriu remarcar para outra data, o que desencadeou uma série de xingamentos. A cliente, visivelmente alterada, começou a proferir palavrões e, ao sair do estabelecimento, disse que a manicure “deveria voltar para o zoológico, que ela era uma macaca”. O caso, que ocorreu em plena luz do dia, chocou frequentadores do salão e moradores da região.

As ofensas foram presenciadas por outras clientes e funcionárias do salão. Uma câmera de segurança de um comércio em frente ao local registrou o áudio da discussão, captando claramente as palavras “zoológico” e “macaca”. As imagens foram anexadas ao boletim de ocorrência como prova do crime. A manicure, que trabalha há anos na região, afirmou que nunca havia passado por situação semelhante e que se sentiu humilhada.

Registro criminal e investigação em andamento

A ocorrência foi registrada como preconceito de raça ou de cor, com base na Lei 7.716/1989, que tipifica crimes de racismo. A vítima declarou que pretende processar criminalmente a suspeita e que não aceitará acordo extrajudicial. O caso foi encaminhado ao 4º Distrito Policial de Araçatuba, que abrirá inquérito para apurar os fatos e identificar a autora das ofensas. De acordo com a polícia, a pena para o crime de racismo pode chegar a três anos de reclusão, além de multa.

A manicure, que prefere não se identificar publicamente, contou em entrevista aos veículos de imprensa que a atitude da cliente foi “covarde e desumana”. Ela reforçou que a denúncia não é apenas por vingança pessoal, mas para que casos como esse não fiquem impunes. A profissional espera que o sistema de justiça dê uma resposta rápida e exemplar. O DISTRITO FEDERAL e outras regiões do país têm registrado aumento de denúncias de racismo em estabelecimentos comerciais, o que acende um alerta para a necessidade de políticas de combate à discriminação.

Repercussão e apoio da comunidade

O caso repercutiu entre moradores e comerciantes de Araçatuba, que se solidarizaram com a manicure nas redes sociais. Associações de direitos humanos e movimentos negros locais ofereceram apoio jurídico e psicológico à vítima. A Secretaria de Igualdade Racial do município também foi acionada e deve acompanhar o andamento do inquérito. A dona do salão onde o crime ocorreu afirmou que está prestando toda assistência à funcionária e que repudia veementemente qualquer ato de racismo.

Especialistas em direito penal destacam que a gravação das câmeras é uma prova robusta e que, somada ao depoimento de testemunhas, pode levar à condenação da suspeita. O crime de racismo é inafiançável e imprescritível, o que significa que a autora poderá responder pelo ato mesmo após anos. A manicure, por enquanto, segue trabalhando no salão, mas afirma que o trauma ainda é grande. Ela espera que a Justiça seja feita e que casos como o dela sirvam de exemplo para que outras vítimas não tenham medo de denunciar.

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