Manifestantes se reuniram em frente à sede do Banco Master, localizada na Rua Elvira Ferraz, no Itaim Bibi, Zona Oeste de São Paulo, no início da noite desta quinta-feira (22). A sede estava cercada de tapumes desde quarta-feira (21), o que bloqueou o acesso do grupo à fachada. O protesto foi organizado pelo Movimento Brasil Livre nas redes sociais, com o objetivo de pedir mais transparência e o afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da investigação do caso. Durante o ato, os manifestantes clamavam: “Ei Vorcaro, cadê a delação?”, enquanto colocavam fotos dos investigados nos tapumes, juntamente com faixas com mensagens como “Basta, fora Vorcaro”. A Polícia Militar foi acionada para acompanhar o protesto, que transcorria de forma pacífica.
A apuração criminal do caso do Banco Master chegou ao Supremo por decisão de Dias Toffoli, que assumiu a relatoria e determinou a centralização das medidas judiciais na corte, suspendendo procedimentos em instâncias inferiores. A justificativa apresentada foi a existência de informações econômicas sensíveis, com potencial de impactar o sistema financeiro. Desde então, Toffoli passou a ser responsável pelas decisões relacionadas ao caso, incluindo a decretação de sigilo sobre parte do inquérito e a autorização de atos como acareações, alegando urgência na condução do processo para evitar impactos no mercado.
A Polícia Federal deflagrou uma nova etapa da operação que apura irregularidades envolvendo o Banco Master, colocando o caso novamente em destaque. A investigação foi ampliada para abranger familiares do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e outras figuras ligadas ao mercado financeiro. Nos últimos meses, o Banco Master esteve no centro de polêmicas que mobilizaram órgãos como o Banco Central (BC), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF), com o desdobramento do caso ganhando cada vez mais complexidade.
A crise teve início com suspeitas relacionadas a operações financeiras realizadas pelo banco, levando o BC a decretar a liquidação extrajudicial da instituição. Contudo, a medida foi questionada, abrindo espaço para novas análises sobre seus fundamentos. As investigações avançaram para apurar possíveis fraudes, desvios de recursos e tentativas de interferência em decisões regulatórias, parte delas tramitando sob sigilo no STF. Na mais recente etapa da operação Compliance Zero, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.
O cenário envolvendo o Banco Master tem despertado discussões sobre a estabilidade do sistema financeiro, o papel dos órgãos reguladores e a atuação das instâncias estatais. O avanço das investigações ocorre em um momento em que o caso vai além do âmbito policial, envolvendo aspectos mais amplos da sociedade. Com as manifestações pedindo mais transparência e o afastamento de Toffoli do caso, a repercussão continua a crescer, com a busca por respostas e soluções para as questões levantadas em torno do Banco Master.




