Manobrista fazia a manutenção de piscina onde professora morreu em SP, diz polícia; subprefeitura interdita academia
Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, passou mal após entrar na piscina para aula de natação. Marido dela e um adolescente de 14 anos, que também faziam a aula, estão internados em estado grave. O delegado Alexandre Bento, titular do 42° Distrito Policial, que investiga a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. — Foto: Montagem/de/Reprodução/TV Globo
O delegado Alexandre Bento, titular do 42° Distrito Policial, que investiga a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. — Foto: Montagem/de/Reprodução/TV Globo
O delegado que conduz a investigação sobre a morte da professora que passou mal e morreu após uma aula de natação em uma academia na Zona Leste de São Paulo afirmou no domingo (8) que o manobrista da empresa era o responsável pela manutenção da piscina do espaço.
Segundo Alexandre Bento, titular do 42° Distrito Policial, a suspeita da polícia é que houve uma mistura de produtos químicos que acabou causando uma reação química e liberou gases no ambiente, intoxicando os alunos da academia. “Esse gás tóxico provocou asfixia nas pessoas que ali estavam, via a queima das vias aéreas, gerando bolhas no pulmão das vítimas. Nós estamos tentando entender direitinho qual foi o produto que foi usado e qual a proporção da mistura”, explicou Bento.
“A grande dificuldade foi que não houve colaboração nenhuma da empresa. Como os empresários não apareceram e não deram satisfação, a gente não consegue entender [a mistura que foi feita]. Não localizamos o manobrista que seria responsável pela lavagem da piscina, seria a pessoa que faz a mistura dos produtos”, completou. Segundo ele, a polícia ainda tentava localizar o funcionário. “A gente está tentando localizar esse manobrista limpador de piscina para identificar os produtos que ele utilizou e a proporção desses produtos”, afirmou.
Ele acrescentou ainda que se trata de uma “situação bem grave e delicada, tanto que o local está interditado pela Vigilância Sanitária”. Os bombeiros e os profissionais entraram no local com equipamentos de proteção. Foram abertas todas as janelas para dissipar os gazes, mas é cedo ainda para dizer o que causou essa intoxicação”, disse. Por meio de nota, a Subprefeitura Vila Prudente disse que interditou, preventivamente, a academia C4 Gym, no Parque São Lucas, “devido às irregularidades encontradas como: existência de dois CNPJs vinculados à atividade exercida no endereço, não possuir o Auto de Licença de Funcionamento e constatada situação precária de segurança.”
LAMENTO DA FAMÍLIA
‘Justiça precisa ser feita para não acontecer mais’, diz pai de professora morta em piscina de SP ‘Justiça precisa ser feita para não acontecer mais’, diz pai de professora morta em piscina de SP O pai da professora morta, Ângelo Augusto Bassetto, pediu justiça rigorosa no caso. Muito abalado com a morte da filha, ele afirmou que a família está profundamente triste e só quer que o caso não se repita em São Paulo. Essa justiça deve ser feita não para termos de valor – a gente não quer saber de nada, nada – é para não acontecer com mais ninguém, com ninguém. Porque o que aconteceu aí pode acontecer futuramente com alguém… Pelo que fiquei sabendo, [usaram] ozônio, que é muito forte dependendo da quantidade e dosagem. — Ângelo Augusto Bassetto, pai da professora morta Ângelo Augusto Bassetto é pai da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos.
Muito emocionado e em lágrimas, ele lamentava a morte: “Eu não tenho o que falar, porque tudo que vejo na minha casa eu vejo ela… meu filho é o único que está se segurando. Porque eu e a minha esposa… eu não consigo… tá me doendo tanto…”. Em entrevista à TV Globo, Ângelo Bassetto contou que chegou a ver a filha ainda viva no hospital, mas que ela respirava com muita dificuldade. O quadro de saúde dela se agravou e evoluiu para parada cardíaca. Segundo o pai, a médica que atendeu Juliana e o marido dela, Vinicius de Oliveira, contou que o produto químico usado na academia foi para parte do pulmão da professora.
“O Vinícius disse que, quando ele pulou, já sentiu o pulmão. Quando ele subiu, tentou avisar a Juliana, mas ela já tinha pulado e já levantou muito mal. A médica do hospital disse que ela estava com muita água no pulmão. Queimou muito ela por dentro o produto”, afirmou o pai.
Polícia investiga morte de mulher após nadar em piscina de academia em São Paulo
O caso ocorreu no sábado (7). Juliana e Vinícius estavam na aula, como de costume, quando notaram que a água da piscina apresentava odor e gosto anormais. Como se sentiram mal, eles comunicaram o professor responsável e todos os alunos se retiraram do local. As causas da morte de Juliana ainda estão sendo apuradas pela Polícia Civil de São Paulo, que apreendeu amostras da água da piscina da academia C4 Gym e os produtos químicos usados na unidade. O marido de Juliana também está internado em estado grave e foi entubado. Um outro adolescente de 14 anos também está hospitalizado após usar a mesma piscina. Outras duas pessoas também receberam atendimento médico e foram liberadas.
O velório de Juliana estava previsto para esta segunda às 8h no Velório Avelino, no Jardim Avelino, em São Paulo. O enterro está marcado para 14h no Cemitério Quarta Parada. Parentes relataram à TV Globo que Juliana e Vinícius se casaram em dezembro de 2024, tinham acabado de comprar um apartamento e faziam planos para ter filhos. A família também contou que ela era apaixonada por ioga e fazia parte de uma comunidade espírita.
O QUE DIZ A ACADEMIA
Comunicado da academia C4 Gym após a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. — Foto: Reprodução/Instagram
Por meio de nota, a academia afirmou que “assim que tomamos conhecimento do ocorrido, interrompeu imediatamente as atividades da piscina, acionamos o socorro e seguimos todas as orientações das autoridades competentes”. “Estamos conduzindo uma rigorosa apuração interna e também colaborando com as autoridades competentes e com a investigação. Reforçamos nosso compromisso com a transparência junto aos nossos clientes, colaboradores, parceiros e autoridades”, disse. A academia C4 Gym também disse que, “em sinal de respeito e luto, as unidades próprias, na cidade de São Paulo, permanecerão fechadas nesta segunda-feira”.
SUSPEITA DE INTOXICAÇÃO
Juliana e o marido Vinícius — Foto: Arquivo Pessoal
A academia C4 Gym não tinha alvará de funcionamento e foi interditada pela Vigilância Sanitária, informou a Polícia Civil. (veja mais abaixo). A investigação aponta possível intoxicação por inalar produtos químicos que estavam na área da piscina. Contudo, também não descarta a possibilidade de que havia produto na água. “No momento, temos uma vítima em óbito, o esposo dela em estado grave hospitalizado, um adolescente que está na UTI e duas vítimas que tiveram alta. Pelo apurado inicialmente pela perícia, houve uma reação quimica lá provavelmente com os produtos utilizados pela limpeza da piscina que intoxicou todo o ar e gerou envenenamento dessas pessoas”, afirmou o delegado Alexandre Bento, do 42º DP.
Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após nadar em piscina de academia — Foto: TV Globo/Arquivo Pessoal
“Estamos aguardando a liberação do espaço para saber que produtos foram utilizados para a gente conseguir entender como se deram a dinâmica dos fatos. Estamos tentando localizar os responsáveis, o professor que estava dando aula. Testemunhas disseram que quem fazia a mistura dos produtos era o manobrista”, ressaltou o delegado. Ainda conforme o delegado, os responsáveis pelo estabelecimento fecharam o local após o acidente e não informaram a polícia. “Soubemos só quando houve a morte da Juliana. Queremos entender, já que a academia fica em frente a uma delegacia. Tanto que para entrarmos e fazer a perícia tivemos que arrombar o local”, disse o delegado.
Produtos de limpeza foram encontrados na área da piscina — Foto: TV Globo
O QUE DIZ A SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA
“O caso é investigado pelo 42° Distrito Policial (Parque São Lucas) que foi notificado, até o momento, de cinco vítimas – sendo uma fatal. Após o trabalho da perícia e da Vigilância Sanitária, agentes da unidade policial realizaram diligências no local e apreenderam objetos para a apuração. As investigações prosseguem para o total esclarecimento dos fatos”.
Bombeiros durante perícia na academia na Zona Leste de São Paulo — Foto: TV Globo
Academia da Zona Leste de SP onde mulher morreu após nadar em piscina não tinha alvará e foi interditada neste domingo — Foto: TV Globo




