Marido de PM morta passa a ser investigado após Justiça tratar caso como feminicídio
O marido da policial militar Gisele Santana, encontrada morta em casa com um tiro na cabeça, passou a ser considerado investigado no caso após a Justiça de São Paulo determinar que a polícia apure a morte como feminicídio.
Inicialmente, o registro foi como suicídio, mas mudou para morte suspeita após a família dela contestar essa versão, e agora é investigado como feminicídio, cujas penas variam de 20 a 40 anos de reclusão.
Horário da Morte
Alguns pontos chamam a atenção dos investigadores sobre a morte. Um deles é o horário da morte. Uma vizinha do casal afirmou à polícia que acordou às 7h28 depois de ouvir um estampido único e forte vindo do apartamento.
Isso aconteceu cerca de meia hora antes da primeira ligação feita pelo marido da vítima ao serviço de emergência. Na chamada para a PM, registrada às 7h57, ele disse que a esposa havia se matado.
“Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor”, afirmou Neto na ligação.
Minutos depois, às 8h05, ele ligou para o Corpo de Bombeiros e disse que a mulher ainda estava respirando. As equipes chegaram ao local às 8h13.
Posição da Arma
Outro questionamento é sobre o disparo. Um dos socorristas relatou que a arma parecia estar “bem encaixada” na mão da mulher, de uma forma que nunca havia visto em casos de suicídio. Por achar a cena incomum, decidiu fotografá-la.
O profissional também afirmou que o sangue já estava coagulado quando a equipe chegou ao apartamento e que não havia cartucho de bala no local.
Banho
No mesmo inquérito da Polícia Civil, depoimentos de socorristas que atenderam a ocorrência levantam questionamentos sobre a versão apresentada pelo marido da vítima.
Em depoimento, o oficial afirmou que estava no banho no momento em que ouviu o disparo, mas os primeiros bombeiros que chegaram ao local disseram que ele estava seco e que não havia marcas de água no chão do apartamento.
O tenente-coronel disse que entrou no banheiro para tomar banho por volta das 7h e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho que pensou ser de uma porta batendo. Ao sair do banheiro, afirmou ter encontrado Gisele caída na sala.
Ele também afirmou que o chuveiro do banheiro do corredor estava ligado, mas não havia poças de água no chão ou no corredor. A observação foi reforçada por um tenente da PM cuja equipe foi a primeira a chegar ao local dos fatos. Ele apontou que nem Geraldo nem Gisele aparentavam estar molhados ou terem tomado banho antes do disparo.
Entrada e Saída de Policiais do Apartamento
Uma câmera de segurança registrou a entrada e a saída de três policiais no apartamento onde Gisele morreu. Segundo uma testemunha, as agentes foram ao local cerca de 10 horas após a ocorrência para fazer a limpeza do imóvel.
Ainda de acordo com a testemunha, as agentes chegaram ao prédio às 17h48 de 18 de fevereiro, o mesmo dia da morte, e entraram no local acompanhadas por uma funcionária do edifício.
As imagens mostram que elas permaneceram por aproximadamente 50 minutos e não saíram com objetos. As policiais serão ouvidas na investigação.




