Médico do PR pagará R$ 120 mil em acordo com MP após confessar que delegou cirurgias do SUS a residentes para atender em consultório particular
Investigação apontou que Maxsuel Fidelis de Padua Almeida deixou de comparecer em pelo menos 18 cirurgias, para atender mais de 75 pacientes particulares. DE aguarda retorno da defesa do médico.
Maxsuel Fidelis de Padua Almeida, que atua como médico ortopedista em Umuarama, no noroeste do Paraná, foi investigado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) por delegar cirurgias pagas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a médicos residentes.
A investigação apontou que o médico agiu dessa forma por pelo menos 18 vezes, para que pudesse ser liberado para atender mais de 75 pacientes particulares no consultório dele.
De acordo com o MP, Maxsuel confessou os atos e, como tinha os requisitos necessários, fechou um Acordo de Não Persecução Penal com o órgão.
Com isso, ele deverá pagar uma multa de R$ 120 mil e deixará de atender, pessoalmente ou em consultórios do qual seja sócio, pacientes do SUS por seis meses. O que é um Acordo de Não Persecução Penal? É uma alternativa dada aos autores de crimes para substituir o processo criminal por outras formas de reparação dos danos causados. É cabível quando a infração penal não envolve violência ou grave ameaça, a pena mínima prevista for inferior a quatro anos, o investigado confessar o crime e aceitar as condições de reparação propostas pelo MP. Esse instrumento jurídico passou a vigorar em janeiro de 2020, com a Lei 13.964/2019, conhecida como Pacote Anticrime. O acordo pode ser celebrado entre o Ministério Público e o investigado, com o objetivo de solucionar os casos de forma mais célere e efetiva.
O DE procurou a defesa de Masxuel, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
Em setembro de 2025, o médico foi alvo da Operação Fratura Exposta, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para investigar os crimes de peculato e falsidade ideológica. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços de Masxuel – onde foram apreendidos documentos e celulares – e ele foi afastado da função pública. Com os materiais, foi possível descobrir que entre os dias 24 de junho e 21 de agosto de 2025, Masxuel não compareceu para realizar as cirurgias de 18 pacientes agendados pelo SUS em um hospital da cidade. Entretanto, na mesma data e horário dos agendamentos, consta que o médico atendeu mais de 75 pacientes no consultório particular dele. A investigação apontou que, para tentar esconder a ausência nos procedimentos cirúrgicos e receber os pagamentos do SUS, Masxuel falsificou prontuários e outros documentos, registrando a presença dele nas cirurgias.
Durante as investigações, o MP descobriu ainda que os residentes que fizeram as cirurgias no lugar do ortopedista receberam apenas a bolsa-auxílio regular, não tendo pagamentos adicionais pelos procedimentos realiados.




