Menino de 6 anos morre após erro de prescrição médica; suspeita assume erro

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Uma criança de 6 anos morreu após tomar uma dosagem incorreta de adrenalina na veia após prescrição médica. A vítima, identificada como Benício, morreu na madrugada do último domingo, 23, no Hospital Santa Júlia, no Amazonas, onde deu entrada com tosse seca e suspeita de laringite. O caso é investigado pela Polícia Civil.

Segundo investigações, a médica e a técnica de enfermagem responsáveis pelo atendimento da criança prestaram depoimento nesta sexta-feira, 28. A médica é a principal suspeita de ter prescrito a aplicação de adrenalina, enquanto a técnica de enfermagem foi responsável pela aplicação da dose.

O delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, solicitou a prisão preventiva da médica, com justificativa de que a criança foi vítima de homicídio doloso, quando não há intenção de matar ou assunção de risco. “Se ela permanece em liberdade, ela pode normalmente depois vir trabalhar em outro hospital e colocar em risco a vida de outra pessoa. Então, se ela não verificou essa prescrição em relação a uma criança de seis anos, gerando o resultado de morte, quem me diz que ela não vai fazer isso de novo em outro hospital?”, disse o delegado Marcelo Martins.

Na noite da última quinta-feira, 27, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJMA) concedeu um habeas corpus preventivo à médica, impedindo que ela seja presa durante a investigação que apura a morte da criança.

Caso

Segundo Bruno Freitas, pai da criança, Benício deu entrada no hospital no último sábado, 24,  com tosse seca e suspeita de laringite. Ele passou por consulta com a médica, que receito lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3ml a cada 30 minutos.

A família chegou a questionar a técnica de enfermagem ao ver a prescrição, já que Benício apenas utilizava o remédio por meio de nebulização. Segundo Bruno, logo após a primeira dose, Benício apresentou piora súbita no quadro.

“Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ela ia fazer”, relatou o pai ao G1.
Após a reação, a equipe levou a criança para a sala vermelha, onde o quadro se agravou e a oxigenação caiu em cerca de 75%. Uma segunda médica foi acionada para iniciar o monitoramento cardíaco e, pouco depois, foi solicitado um leito de UTI, e Benício foi transferido no início da noite.
Na UTI, o quadro piorou e uma intubação foi necessária por volta das 23h. Durante o procedimento, a criança sofreu as primeiras paradas cardíacas e permaneceu instável com oscilações rápidas na oxigenação. Minutos depois, Benício apresentou nova piora e não respondeu às manobras de reanimação, vendo a falecer por volta das 2h55 do domingo.
Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que a médica e a técnica de enfermagem foram afastadas de suas funções após uma investigação interna conduzida pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente.
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