O programa Move Brasil, lançado pelo Governo Federal, promete impactar significativamente o mercado de verniz de carros seminovos e veículos usados. Iniciado no dia 19 de agosto, o programa visa facilitar a compra de automóveis zero-quilômetro por motoristas de aplicativo e taxistas, fomenta um fluxo intenso nas concessionárias participantes. Com a injeção de R$ 30 bilhões em crédito direcionado a essa classe, a proposta visa potencialmente elevar as vendas, fazendo com que o setor automotivo reaja rapidamente. Revendedores e lojistas estão atentos a essa nova dinâmica, que pode levar a uma criação de um novo nicho: o mercado de ‘ex-Uber’.
Historicamente, carros anteriormente utilizados para transporte por aplicativo enfrentam desvalorização no mercado de seminovos. Em um cenário onde o desgaste e a quilometragem são fatores críticos, a proposta do Move Brasil pode gerar mudanças nesta desvalorização. Nos últimos anos, o segmento de seminovos já havia apresentado uma recuperação gradual, com um aumento de 12% nas vendas entre 2021 e 2022, mas o desafio de lidar com a desconfiança em relação aos “ex-carros de aplicativo” ainda persiste. A medida de abrir novas linhas de crédito poderá, portanto, transformar essa situação e trazer um novo parâmetro na avaliação de seminovos.
Segundo Éverton Fernandes, presidente da Fenauto, “não há hoje uma marcação no prontuário do veículo que informe se ele foi usado em aplicativo”. Em entrevista, ele descreve a importância de uma maior transparência no mercado: “O consumidor precisa saber se um carro foi utilizado para ficar todo o dia na rua, podendo, assim, moldar sua decisão de compra”. Essas afirmações vêm à tona em um momento em que a expectativa do governo é de um aumento significativo nas vendas de veículos novos, o que acabará impactando na revenda desses seminovos nos próximos anos. Essa prática pode se tornar crucial para evitar que os compradores sejam pegos de surpresa pela condição dos veículos que estão adquirindo.
Como será a avaliação de um carro usado por aplicativo?
Ao avaliar um carro que foi utilizado em um aplicativo, alguns pontos devem ser considerados. A quilometragem é o fator chave, mas o desgaste excessivo em componentes como pedais, bancos e volante também será observado. Fernandes indica que, dependendo do uso, a depreciação de um carro com histórico de aplicativo pode ser até 50% maior em comparação a um veículo particular. Essa diferença de valor está diretamente relacionada às condições e ao histórico de manutenção, revelando que nem todos os “ex-Ubers” podem ser tratados da mesma forma.
A abertura de um novo segmento no mercado de carros seminovos pode ser uma consequência benéfica da mudança proposta pelo Move Brasil. Se um carro ex-aplicativo for mantido em boas condições, ele pode ser uma opção atraente para consumidores que buscam veículos mais novos por um preço reduzido. Contudo, essa possibilidade levanta dúvidas sobre como os compradores podem garantir que a vida anterior do veículo não traga problemas e custos adicionais no futuro. Para isso, é fundamental que os motoristas que utilizam seus veículos em apps estejam dispostos a compartilhar seus registros de manutenção com potenciais compradores.
Para o empreendedor do setor, a inovação do Move Brasil é uma oportunidade de expandir a gama de produtos oferecidos. Muitas concessionárias estão se preparando para ajustar suas práticas e treinar suas equipes nesse novo eixo do mercado. Por exemplo, com a chegada de novas variedades de veículos, mais opções poderão ser disponibilizadas. Negócios são, portanto, impulsionados nesta nova fase.
O que esperar do futuro dos veículos seminovos?
Projeções indicam um crescimento contínuo no volume de carros seminovos, particularmente aqueles com histórico de uso em aplicativos. O governo almeja que aproximadamente 250 mil veículos novos possam ser adquiridos anualmente, o que certamente provocará um influxo no mercado de revenda, uma vez que muitos motoristas optarão por trocá-los após questões de manutenção. Este movimento vai além da simples troca de veículos e remete a um ciclo renovado que o setor automotivo reclama desde a crise sanitária que abateu o Brasil em 2020.
A variação no comportamento de compra dos consumidores pode influenciar a avaliação de mercado. Conforme indicam dados da Anfavea, as vendas de seminovos dobram em períodos de incentivos fiscais e novos financiamentos, refletindo um ambiente de negócios que procura acompanhar a tendência de renovação de frotas. Teoricamente, essa nova onda pode também significar uma queda nos preços e, consequentemente, uma maior acessibilidade para o consumidor comum.
O efeito dessa transição será sentido em várias camadas da economia. Um mercado mais transparente pode gerar resultados mais positivos para pequenas concessionárias, possíveis cooperativas de motoristas e até mesmo para a indústria automotiva. Uma venda honesta e clara pode proporcionar uma relação de confiança entre vendedores e compradores, com a disponibilização de informações mais abrangentes sobre as especificidades dos veículos.
O que poderá mudar na estrutura do mercado de seminovos?
Recentemente, iniciativas têm sido levantadas a respeito da documentação de veículos que estejam associados a aplicativos de transporte. A proposta de registrar no prontuário a finalidade de uso dos veículos poderá, futuramente, facilitar a identificação de carros com mais de um proprietário e aumentar a clareza sobre o seu estado de conservação. Isso representa um passo significativo rumo à regulamentação e ao fortalecimento do empreendedorismo no setor automotivo.
Analistas econômicos ressaltam que essa mudança pode impulsionar não apenas a valorização dos carros seminovos, mas fortalecer a imagem e a operação de empresas que avançam numa onda de maior transparência. Esse movimento maior de transparência poderá consistir em um diferencial competitivo para os negócios que estiverem dispostos a adotar essas práticas. Sobretudo em um cenário em que a confiança do consumidor é fundamental.
Ao final, o futuro do mercado de seminovos e a ação do governo através do Move Brasil representam uma rica oportunidade de verdadeira transformação empresarial. Carros que foram usados em aplicativos poderão ter sua história recontada e, portanto, a experiência do comprador estará vinculada não apenas a um bem, mas também ao modo como essa compra é feita. A transparência e a qualidade de informação poderão captar um novo público que busca economia e segurança na hora da compra.’



