Mercado incerto: Ibovespa e dólar em queda após choque tarifário de Trump

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Ibovespa e dólar: o que esperar do mercado após choque tarifário de Trump

Divisa norte-americana tem tendência de queda com possível recessão nos EUA, mas futuro do mercado ainda é incerto

As bolsas globais e o valor do dólar caíram nesta quinta-feira (3), após as tarifas recíprocas anunciadas na quarta (2) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A avaliação de republicano é de que o choque inicial dos investidores já era esperado, mas que a tendência é o mercado eventualmente prosperar.

Investidores ouvidos pela CNN, porém, não compartilham da mesma certeza. Do contrário, o consenso que há entre eles é de que o momento é o mais incerto possível.

“É muito difícil cravar qual o futuro da economia, […] a gente ainda tem uma nuvem, um ponto de interrogação gigante [sobre a extensão dos danos da política comercial dos EUA]”, avalia André Fernandes, economista-chefe da Análise Econômica.

Aqui no Brasil, o dólar despencou 1,18%, a R$ 5,629 na venda – o menor fechamento desde 16 de outubro de 2024, quando encerrou em R$ 5,6226. Já o Ibovespa operou entre altas e baixas no dia, encerrando o pregão em suave queda de 0,04%, a 131.140,65 pontos.

No resto do mundo, porém, as perdas foram bem mais expressivas. Bolsas da Ásia, Europa e a dos EUA experienciaram quedas robustas com o temor incutido pelo tarifaço.

“Tem uma crise de confiança, o mercado passou a acreditar menos nos Estados Unidos. Governo Trump tem feito um trabalho […] de ‘desinternacionalizar’ os Estados Unidos. E aí há um selloff dos ativos americanso nos mercados globais”, observa Renoir Vieira, sócio da Duna Consultoria.

“A interpretação do mercado em relação as tarifas para o caso brasileiro é positiva. O Brasil saiu muito melhor do que a maior parte dos países relevantes, e isso direciona, a princípio, recursos para o Brasil. Pode ver no médio prazo empresas internacionais aumentando produção e investimento no Brasil para atender o mercado americano com preços mais competitivos”, pontua Vieira.

Do lado negativo, e o que deve ter pesado mais para levar o Ibovespa à queda no fim do pregão, os investidores apontam a baixa no comércio internacional e menor eficiência das cadeias globais de valor.

Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, destaca que se houver uma escalada da guerra comercial, a tendência é de aumentar a aversão ao risco e, consequentemente, haver uma piora nos preços dos ativos.

“No curto prazo vai continuar vendo os efeitos desse choque, onde boa parte da correção já está acontecendo. Houve uma mudança grande de cenário, os ativos vão buscar equilíbrio, mas o momento é de realização nos mercados”, pondera Costa.

Paula Zogbi, gerente de Research da Nomad, ressalta que a queda do dólar nesta quinta se deu, em parte, pela expectativa de que a economia dos EUA desacelere em decorrência das tarifas. Ademais, chama atenção para os juros altos aqui no Brasil, que atraem capital de investidores que buscam alternativas rentáveis. Mas reforça que o momento é de volatilidade.

Nessa linha, Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, bate na tecla da dificuldade que é de se projetar o futuro do mercado neste cenário.

“Daqui para frente é muito difícil falar em perspectiva para dólar porque está tudo muito incerto. Se a gente continuar vendo essa tendência de possível recessão, e se os indicadores apontarem para isso, a gente pode ter um dólar mais fraco. Só que o ambiente é muito incerto, e o ambiente de muita aversão […] pode ter uma fuga para o porto seguro que — ainda que os Estados Unidos estejam aí no olho do furacão — é o dólar, que ainda é uma moeda segura”, conclui Veronese.

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