Javier Milei, deputado argentino, tem adotado uma postura agressiva em relação ao Brasil e ao presidente Lula, mas seus ataques podem ter um efeito contrário ao desejado nas eleições de 2026.
Conforme analisa o colunista Leonardo Sakamoto, Milei parece ignorar um aspecto crucial da cultura brasileira: enquanto os brasileiros podem criticar seu governo, não aceitam que um estrangeiro faça o mesmo com desdém. A autoestima nacional é um fator que Milei desconsidera, o que pode voltar-se contra ele.
Em sua ânsia de atacar, Milei chamou Lula de “presidiário” e “ladrão”, compartilhando até mesmo postagens de políticos norte-americanos que o denigrem. Essa postura, que poderia parecer uma tentativa de apoio à extrema-direita brasileira, acaba, na verdade, fortalecendo o discurso de Lula, que se beneficia das provocações.
A situação é ainda mais complicada para Milei, dado o ressentimento que se acumulou após a última Copa do Mundo. A seleção argentina, que passou por um vexame, não só se tornou alvo de críticas, mas a própria torcida argentina foi questionada por atos racistas. Essa má imagem pode intensificar o nacionalismo entre os eleitores brasileiros, o que seria vantajoso para Lula.
O ataque ao governo brasileiro em um momento onde a Argentina enfrenta dificuldades econômicas pode ser visto como uma estratégia de desvio de atenção. Ao criticar o Brasil, Milei tenta esconder os problemas em seu país, onde o ajuste fiscal prejudica fortemente a classe trabalhadora.
Milei acredita que suas agressões aos líderes brasileiros poderiam garantir-lhe apoio nas próximas eleições. No entanto, uma pesquisa da Genial/Quaest revela que 22% dos entrevistados mencionam que o apoio de Milei tende a impulsioná-los a votar em Lula, enquanto apenas 15% se afastam do candidato da esquerda em favor de Flávio Bolsonaro.
Portanto, enquanto ele tenta se alinhar com a extrema-direita brasileira, suas falas podem estar entregando uma vantagem crucial a Lula, que agradece pela oportunidade de adotar um discurso de soberania nacional. Ao focar no adversário externo, Milei não percebe que está, na verdade, colaborando para a sua própria derrocada política.
Em resumo, a postura de Milei em relação a Lula e ao Brasil pode ser um tiro no pé, contribuindo para fortalecer a candidatura do atual presidente nas próximas eleições e ajudá-lo a ganhar apoio entre os eleitores independentes descontentes com seu governo.



