BELO HORIZONTE (MG) — O Ministério da Saúde autorizou o repasse de R$ 243 milhões para os 49 municípios impactados pelo rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana, ocorrido em 2015. A medida, publicada em portaria no Diário Oficial da União nesta terça-feira (9), beneficia 38 cidades de Minas Gerais e 11 do Espírito Santo, com recursos específicos para compensar os danos à saúde da população afetada pela tragédia.
Para receber os valores, cada prefeitura precisou elaborar e apresentar um plano de ação em saúde, aprovado pelo governo federal. Os montantes variam conforme o impacto local e as necessidades levantadas. Mariana, epicentro do desastre, ficará com a maior parcela, de R$ 24,5 milhões. Em seguida, aparecem Serra (ES), com R$ 21,9 milhões, e Governador Valadares (MG), com R$ 19,9 milhões. Outros municípios mineiros como Ipatinga (R$ 9,8 milhões) e Caratinga (R$ 8,7 milhões) também estão na lista dos que mais receberão.
Recursos integram acordo bilionário de reparação
O montante liberado agora faz parte do novo acordo de Mariana, assinado em outubro de 2024, que totaliza R$ 170 bilhões em obrigações das mineradoras Samarco, Vale e BHP. Desse total, R$ 12 bilhões foram destinados exclusivamente à área da saúde, dos quais R$ 1,8 bilhão devem custear ações de competência direta dos municípios. A verba atual é a primeira tranche desse bloco.
O dinheiro está depositado em um fundo privado sob gestão da União, que realiza as transferências conforme os planos de ação são aprovados. Parte dos recursos já havia sido liberada em 2025 para outras etapas. A reportagem questionou o Ministério da Saúde sobre a possibilidade de novos repasses aos municípios e aguarda retorno.
Tragédia completa dez anos com impactos duradouros
Em 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão se rompeu em Mariana, liberando mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. A lama destruiu comunidades inteiras, como Bento Rodrigues, contaminou o Rio Doce e seus afluentes, e chegou ao Oceano Atlântico, no Espírito Santo. Dezenove pessoas morreram e 49 municípios foram afetados direta ou indiretamente — um dos maiores desastres ambientais do país.
Desde então, ações de reparação e compensação vêm sendo implementadas, em meio a debates sobre a efetividade das medidas e a demora na recuperação dos territórios atingidos. A liberação dos recursos para saúde representa mais um capítulo desse longo processo de reconstrução.



