O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma investigação para apurar as denúncias de favorecimento e sociedade oculta envolvendo membros demitidos na semana passada da Secretaria Municipal de Turismo (SMT) da Prefeitura de São Paulo e na SPTuris. Segundo a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, os indícios denunciados pelo portal “Metrópoles” e confirmados pelo DE de que o agora ex-secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, usou o cargo para favorecer a agência MM Quarter e a Associação de Bem-Estar, Esporte e Cultura (ASA) são robustos e, portanto, deverão ser alvo de apuração aprofundada dos promotores paulistas.
No documento, o promotor José Carlos Blat pediu para que a Divisão de Investigações de Crimes Contra a Administração Pública (DISCCA), da Polícia Civil, também investigue os empresários Nathalia Carolina de Souza Silva, sócia da empresa MM Quarter no papel, e seus supostos sócios ocultos, Rodolfo Marinho e Vitor Correa de Moraes. Natália aparece nos documentos oficiais como dona única da empresa, que tem mais de R$ 239 milhões em contratos só com a SPTuris, mas a própria Controladoria Geral do Município (CGM) encontrou duas procurações em que ela dá plenos poderes de administração da empresa para Rodolfo Marinho e Vitor Moraes gerirem a empresa.
A descoberta do esquema dentro da Secretaria de Turismo levou o prefeito Ricardo Nunes (MDB) a exonerar, na semana passada, Rodolfo Marinho e o presidente da SPTuris – Gustavo Pires, que pediu para deixar o cargo. Considerando a notícia de eventual superfaturamento e inexecução de contratos celebrados com a MM Quarter, para fornecimento de guias de turismo bilíngues e copos de 200 ml de água a eventos organizados pela prefeitura e entidades a ela vinculadas, há necessidade de melhor investigação dos possíveis ilícitos noticiados, objetivando a apuração de eventuais responsabilidades funcionais e a reparação de eventual prejuízo causado ao erário”, escreveu o promotor José Carlos Blat.
O g1 procurou a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e a MM Quarter para comentarem o inquérito aberto na promotoria, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
Diante das denúncias e da própria investigação da CGM, vários parlamentares da oposição ingressaram com o pedido de investigação no Ministério Público de São Paulo contra a SPTuris, a MM Quarter e o secretário Rodolfo Marinho. Uma delas foi do vereador Nabil Bonduki (PT), que também protocolou um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de SP para apurar todos os eventos da SPTuris que tem a MM Quarter foi contratada com intermediária, contratante e contratada. “Acabo de protocolar a criação de uma CPI para investigar os contratos da prefeitura na realização de eventos na cidade. O Carnaval acaba, mas as empresas e ONGs com contratos suspeitíssimos com a prefeitura continuam”, escreveu o petista nas redes sociais.
Portanto, a investigação em andamento tem como objetivo esclarecer os possíveis desvios de conduta envolvendo a MM Quarter, a SPTuris e agentes públicos da Prefeitura de São Paulo, garantindo a transparência e integridade dos processos administrativos da cidade. É fundamental que os órgãos competentes possam apurar todas as irregularidades denunciadas e tomar as medidas necessárias para garantir a lisura das operações públicas.




