Ministro alerta Mauro Cid sobre consequências para família no depoimento

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Moraes citou filha e esposa de Mauro Cid antes de interrogá-lo

Alexandre de Moraes alertou Mauro Cid de que filha, esposa e pai poderiam sofrer
consequências com a quebra no acordo de delação premiada

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes citou a filha de 19 anos do tenente-coronel Mauro Cid, a esposa e o pai do militar antes de interrogar o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. Cid prestava esclarecimentos sobre o conteúdo de informações prestadas no acordo de delação premiada firmado com a Polícia Federal (PF).

Falando diretamente com Mauro Cid, Alexandre de Moraes o alertou sobre as consequências da quebra do acordo de colaboração. E ressaltou que a família do militar poderia ser envolvida nas investigações.

“A fim de possibilitar uma reflexão maior do colaborador, com seus advogados, para que esclareçam omissões e contradições na sua colaboração, sob pena não só da decretação de prisão, como também da cessação e da consequente rescisão da colaboração”, disse o ministro do STF. “Eventual rescisão englobará inclusive a continuidade das investigações e a responsabilização do pai do investigado, de sua esposa e de sua filha maior”, avisou. Em seguida, Moraes perguntou a Cid se o militar estava ciente das consequências da anulação da delação premiada. “Sim, senhor”, respondeu o ex-assessor de Bolsonaro.

As contradições apontadas pela PF no depoimento de Mauro Cid se referiam principalmente às reuniões ocorridas na casa do ex-ministro da Defesa de Bolsonaro, general Walter Braga Netto, quando, segundo as investigações, teriam sido planejadas ações para o suposto golpe de Estado, entre elas, o assassinato do presidente Lula, do vice, Geraldo Alckmin, e do próprio ministro Alexandre de Moraes.

“Indagado sobre as ações dos militares com formação em Forças Especiais envolvendo as ações para a tentativa de golpe de Estado, respondeu QUE, de forma ampla, não participou de qualquer planejamento ou execução com outros militares para a realização de ações clandestinas que visassem à consumação do golpe de Estado; QUE nas reuniões dos dias 12 e 28 de novembro de 2022 não foi planejada nenhuma ação ou medida com o objetivo de tentar um golpe de Estado; QUE apenas havia naquele momento uma insatisfação sobre a situação política do país; Indagado se alguém pediu informação sobre o acordo de colaboração, sobre quais informações a Polícia Federal tinha conhecimento, respondeu QUE não; QUE não teve pedidos de investigados nesse sentido”, relatou a PF após o depoimento do dia 19 de novembro de 2024.

“As declarações do colaborador, confrontadas com os demais fatos revelados com o aprofundamento da investigação, revelam a possibilidade da existência de vícios no seu acordo de colaboração, que somente podem ser esclarecidos mediante a adoção de medidas para a elucidação completa dos fatos, inclusive no que diz respeito a eventual vazamento de informações ou acerto de versões com outros investigados”, observou Moraes em decisão sobre a convocação de Cid para novo depoimento.

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