A Anfavea, associação que representa as montadoras, apresentou um estudo ao vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin mostrando que as empresas podem seguir o exemplo da BYD. Se todas as montadoras optarem por operar como a BYD, o impacto na cadeia de fornecedores será de R$ 129 bilhões no primeiro ano, de acordo com o documento apresentado. Esse impacto ocorrerá principalmente devido à redução das encomendas de peças, já que os veículos chegarão praticamente prontos da China, seguindo o modelo da BYD. Com a possível mudança, estima-se que 69 mil postos de trabalho nas montadoras e 227 mil empregos em empresas fornecedoras, incluindo autopeças, poderão ser cortados.
O Brasil, que atualmente exporta veículos leves, também sofrerá uma perda significativa, deixando de ser um polo de vendas e causando uma redução de R$ 42 bilhões por ano. Igor Calvet, presidente da Anfavea, alertou que o setor pode sofrer mudanças nos investimentos planejados, especialmente se a situação da isenção se manter. A canibalização da BYD já é evidente, inclusive em modelos mais populares, devido à agressividade nos preços e aos incentivos fiscais obtidos. A associação ressalta que a importação de veículos da BYD garantiu um estoque de 117 dias, enquanto as outras montadoras operam com apenas 19 dias de estoque.
O ministro Geraldo Alckmin está no meio de uma disputa, com pressões divergentes. Enquanto o ministro-chefe da Casa Civil defende a BYD, o ministro da Fazenda busca uma competição justa no setor. A questão central é a prorrogação da isenção sobre a importação de veículos elétricos, que beneficia a BYD. Apesar do pedido de renovação ainda não ter sido formalizado, espera-se que seja aprovado na próxima reunião da Camex. O histórico de prorrogações e pressões da BYD evidencia a divisão no governo e no setor automotivo.
Em julho do ano passado, a isenção sobre veículos eletrificados desmontados já deveria ter sido encerrada, mas foi prorrogada por mais seis meses sob condições específicas. Agora, a BYD busca manter a isenção, alegando planos de ampliação da produção local. A empresa prometeu aumentar a nacionalização de seus veículos, porém sem uma data específica. Enquanto isso, as montadoras tradicionais observam atentamente o desenrolar das decisões que afetarão o mercado automotivo.




