Morreu em Curitiba, aos 94 anos de idade, Efigênia Rolim, conhecida como Rainha do Papel de Bala.

O título carinhoso veio como reflexo da metodologia de trabalho dela: Efigênia usava papel de bala para fazer muitas de suas obras, transformando o que iria para o lixo em arte. Por anos, marcou presença na tradicional feirinha do Largo da Ordem, onde vendia obras e interagia com o público.

A morte da multiartista, de causas naturais, foi confirmada neste sábado (28) pelo Asilo São Vicente, onde ela vivia. Até a publicação desta reportagem, não havia informações sobre velório e sepultamento.

Legado de uma artista inovadora

Nascida em 1931 em Minas Gerais, Efigênia se mudou para o Norte do Paraná com a família em 1965. Anos depois, em 1971, passou a viver em Curitiba, segundo registro divulgado pelo Governo do Paraná há quatro anos. Ao longo do tempo, se tornou uma artista popular com reconhecimento nacional. Por décadas, marcou presença em exposições coletivas e individuais, além de eventos culturais. Também integrou performances, desfiles de moda, filmes e congressos.

A vida e a obra de Efigênia inspirou peças de teatro, obras cinematográficas e literárias, entre elas, os documentários “Rainha do Papel”, dos paranaenses Estevan Silveira e Tiomkim (1999), e “O Filme da Rainha”, do argentino Sérgio Mercurio (2006) e o livro “A Viagem de Efigênia Rolim nas Asas do Peixe Voador”, da jornalista paranaense Dinah Ribas Pinheiro.

Em 2013, a artista foi reconhecida como Cidadã Honorária de Curitiba.

O reconhecimento da comunidade artística

Em 2022, durante uma exposição do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR) que celebrou a vida e obra de Efigênia, o Governo do Paraná divulgou uma declaração de Efigênia em que ela explicou a conexão com o papel de bala.

Contou a artista que, enquanto catava resíduo nas ruas da capital paranaense, viu um objeto brilhante que chamou a atenção. Ela pensou que fosse uma joia, mas ao se aproximar, notou que era um papel de bala e inicialmente ficou decepcionada, mas refletiu e percebeu que se tratava de algo melhor que uma joia: “um mísero caído”.

O legado de Efigênia Rolim

Nas redes sociais, o Museu Oscar Niemeyer (MON) reconheceu a contribuição de Efigênia no cenário cultural e artístico.

“Onde muitos vêem lixo, Efigênia via matéria-prima para expressar sua linguagem fantástica em um mundo que se confunde com o real. Entre rimas, cores, sons, texturas e muito movimento corporal, a artista criava um universo mágico que teve início com um papel de bala.”.