Morte de cachorra por PM em Guará: tutora desabafa e diz que ‘nenhum dinheiro no mundo vai trazer de volta’

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Quase um ano após ver uma de suas cachorras ser morta a tiros por um policial militar em Guará (SP), a dona de casa Amanda Dourado afirma ainda tomar remédios de uso controlado e depender do apoio psicológico profissional. Para ela, a indenização de R$ 12 mil determinada pela Justiça, como forma de o estado compensar a perda, é insuficiente para compensar a ausência da cadela, chamada de Pretinha, com quem conviveu por dois anos. “Acho que nenhum dinheiro no mundo vai trazer ela de volta, mas a justiça foi feita, espero que a Justiça de Deus também seja feita”, afirma.

Procurada, a Procuradoria Geral do Estado informou que não tinha sido notificada sobre a sentença até a quinta-feira (19).

DANOS MORAIS POR MORTE DE CACHORRA

Os disparos foram dados no meio da Avenida Massuo Nakano, no Centro da cidade, em 14 de agosto de 2025, e ocorreram durante uma abordagem da PM contra um jovem que estava com drogas, segundo a Polícia Civil. Os familiares desse jovem tentaram impedir a abordagem, o que motivou a confusão.

Durante o conflito, três cães que estavam em um dos imóveis saíram na rua, e dois deles chegaram a ir para cima dos PMs, mas recuaram. Quando os cachorros ainda estavam próximos aos agentes, no meio da rua, um dos policiais atirou seguidas vezes em um dos cães, que morreu na hora. O caso foi levado à Justiça pelos tutores, que entraram com uma ação por danos morais contra o estado de São Paulo.

Em sentença expedida em 13 de março, o juiz Otavio Henrique Pereira de Souza descartou a tese do estado de que os PMs agiram para se defender de um ataque do animal, depois que ele escapou da casa da família. Na decisão, o magistrado reconhece que a cachorra apenas escapou porque um dos policiais militares arrombou o portão da residência, onde estava o animal.

Além disso, o juiz reconheceu o dano moral causado pela perda do animal, pelo vínculo afetivo com a família em que estava.

Os momentos em que a cachorra dormia com a dona de casa ou ficava sentada olhando o movimento da rua são lembrados a todo momento pela Amanda, que também se refere à cadela como um animal tranquilo. “Ela era muito dócil, ela tinha dois anos, todo mundo que passava por aqui mexia com ela, a gente punha a tábua aqui e ela ficava sentada na cadeira, muito dócil. Bem tranquila.” Também será difícil de esquecer, segundo ela, a ação do policial, que matou a cachorra no meio da rua. “Foi um susto, eu fiquei arrasada. Dá pra ver no vídeo que na hora que deu um tiro nela eu caio no chão, que eu fiquei sem sentido.”

‘ELA ERA MUITO DÓCIL’

Ela garante que, a cachorra, mesmo tendo ficado agitada com a confusão envolvendo os PMs, já havia recuado quando foi baleada. “Vi que ele atirou porque coisou [arrombou] o portão e foi onde meus cachorros saíram, mas até então meus cachorros recuaram, não iam nem morder eles. Ele deu os quatro tiros na maldade mesmo. É muito triste, porque depois disso estou passando por psicóloga, psiquiatra, eu fiquei muito arrasada.”

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