Segundo o estudo, não há uma predisposição biológica para uma maior mortalidade por distúrbios hipertensivos da gestação nesses grupos. O viés racial e social acaba contribuindo para a desigualdade no acesso à educação e aos cuidados de saúde de qualidade, resultando em interações negativas com os profissionais de saúde e, consequentemente, piores desfechos maternos e perinatais. Em um período de 11 anos, aproximadamente 21 mil mulheres perderam suas vidas durante a gravidez, parto ou puerpério, sendo que em cerca de 18% desses casos, as causas foram complicações da hipertensão.
A taxa de mortes maternas no Brasil foi de 61,8 a cada 100 mil nascimentos, o que está abaixo do limite de 70 estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), porém, consideravelmente acima dos índices de países desenvolvidos. Durante a pandemia, a taxa média de mortes por hipertensão se manteve estável ao longo dos anos, com exceção de 2023, quando houve uma redução pontual. Além disso, em 2022, foi registrado o maior número de casos proporcionais, evidenciando um impacto indireto da pandemia nos serviços de saúde e na assistência obstétrica.
A importância do pré-natal de qualidade foi destacada pelos pesquisadores como um fator crucial na prevenção das mortes maternas por hipertensão. O início precoce do pré-natal, juntamente com a prescrição de medicamentos acessíveis como o carbonato de cálcio e o ácido acetilsalicílico (AAS), pode reduzir significativamente as complicações e melhorar os desfechos maternos. Profissionais de saúde capacitados são fundamentais para identificar os fatores de risco e prescrever adequadamente as medicações apropriadas para cada caso.
A advertência aos sintomas de hipertensão durante a gravidez, como dor de cabeça constante, inchaço, dor de estômago e náuseas, é essencial para garantir atendimento rápido e eficaz. O sulfato de magnésio pode ser crucial na prevenção de convulsões associadas à pressão alta, reduzindo o risco de morte materna. O estudo também revelou um aumento significativo na proporção de mortes após os 40 anos, sugerindo a importância do acompanhamento especializado para mulheres nessa faixa etária.
É fundamental que haja um monitoramento constante e eficiente das gestantes, visando garantir um atendimento adequado e o acesso a tratamentos preventivos. A conscientização sobre a importância do pré-natal, juntamente com a disponibilidade de medicamentos e profissionais qualificados, desempenham um papel crucial na redução das mortes maternas por hipertensão no Brasil. O estudo ressalta a necessidade contínua de medidas preventivas e estratégias de intervenção para combater essa realidade preocupante e evitar futuras tragédias evitáveis.


