SÃO PAULO (SP) — O Instituto Médico Legal (IML) do Distrito Federal investiga as circunstâncias das mortes de duas mães que faleceram logo após darem à luz no Hospital Regional de Samambaia, em menos de uma semana. Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, e Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, deixaram maridos e filhos pequenos em meio a denúncias de possível negligência médica que chocaram a comunidade.
Os casos fazem parte de uma série de seis mortes registradas em unidades públicas de saúde do DF em menos de um mês, incluindo a de um homem que morreu na calçada do Hospital de Base e a de uma bebê de 5 meses que sofreu extubação acidental durante transporte. O secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, afirma que todos os episódios são investigados, mas os classifica como “fatos isolados”. O debate sobre a qualidade do atendimento reacendeu em todo o país, assim como ocorre em outras capitais, como SÃO PAULO, que também enfrenta desafios na rede pública.
“Fomos encontrar a vida e encontramos a morte”, desabafa viúvo de Maria Graciana
Maria Graciana estava com 41 semanas de gestação quando deu entrada no Hospital Regional de Samambaia. Segundo o secretário, ela foi submetida ao protocolo de indução do parto, autorizado por ela e pelo acompanhante. Durante a evolução do trabalho de parto, a equipe indicou uma cesariana, mas após o procedimento a paciente apresentou atonia uterina — quando o útero não se contrai após o parto, causando hemorragia grave.
Apesar das tentativas de controle do sangramento, incluindo a retirada do útero (histerectomia), a mãe não resistiu. O marido, que estava ao lado dela, declarou aos veículos de comunicação: “Fomos encontrar a vida e encontramos a morte”. A Secretaria de Saúde nega abandono e afirma que todos os protocolos foram seguidos.
Segunda mãe morre horas após parto com suspeita de distúrbio de coagulação
Maria Aparecida, de 25 anos, chegou ao hospital já em trabalho de parto, com 38 semanas. Durante o parto, teve um episódio de sangramento nasal, o que levou a equipe a suspeitar de um distúrbio de coagulação — exames posteriores confirmaram a alteração. O secretário afirmou que o quadro era de “difícil reversão” e que, se ela tivesse sido submetida a uma cesariana, “provavelmente teria o óbito ali mesmo na mesa cirúrgica”.
A família de Maria Aparecida também registrou boletim de ocorrência pedindo esclarecimentos. O IML agora investiga se houve falha na identificação do quadro antes do parto. Os dois óbitos ocorreram em 10 e 13 de julho, respectivamente, e estão sob apuração da Polícia Civil do DF.
Outras mortes expõem falhas na rede: homem morre em calçada e bebê perde respiração em transporte
Além das duas mães, outros quatro casos comoveram o DF. Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, morreu sem receber atendimento na antessala da UPA do Recanto das Emas. Já Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, faleceu na calçada do Hospital de Base após pedir ajuda com intensa falta de ar. A irmã dele registrou em vídeo o desespero do momento.
Outro caso trágico foi o da pequena Maria Vitória, de 5 meses, que morreu durante transferência entre hospitais após o tubo de respiração ser retirado acidentalmente — a chamada extubação acidental. A Secretaria de Saúde abriu sindicância e pode rescindir o contrato com a empresa terceirizada responsável pelo transporte. Todos os casos seguem em investigação administrativa e criminal.



