Marco Rubio (EUA) — Rússia contesta declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos sobre a cúpula realizada no Alasca entre o presidente russo, Vladimir Putin, e Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos.
Segundo Moscou, as propostas americanas para uma possível solução do conflito na Ucrânia foram discutidas e aceitas pelo lado russo durante o encontro. As informações foram divulgadas originalmente pela RT Brasil. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou na sexta-feira (26) que as declarações de Rubio geraram dúvidas e que, por isso, seria necessário “esclarecer a situação” a partir da visão do governo russo.
A controvérsia surgiu após Rubio afirmar que, na reunião entre Putin e Trump, realizada em agosto de 2025, teria sido apresentada apenas uma proposta para a solução do conflito ucraniano, sem que qualquer acordo tivesse sido alcançado. Lavrov rejeitou essa interpretação e afirmou que as tratativas feitas antes e durante a cúpula demonstram o contrário.
Por que a interpretação das declarações de Rubio gera dúvidas na Rússia?
De acordo com o chanceler russo, poucos dias antes do encontro no Alasca, o enviado presidencial americano Steve Witkoff esteve em Moscou levando propostas de Trump para a crise ucraniana. Lavrov disse que Moscou analisou o conteúdo apresentado e que Putin se comprometeu a dar uma resposta durante a reunião com o presidente americano. “Nós as levamos em consideração. O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu dar sua opinião no encontro no Alasca”, afirmou Lavrov.
Segundo o ministro russo, durante a reunião em Anchorage, Putin passou a enumerar ponto por ponto as propostas levadas anteriormente por Witkoff a Moscou. O enviado americano, que também participou do encontro, teria confirmado que o presidente russo havia identificado corretamente cada uma das ideias apresentadas pelos Estados Unidos.
Quais as principais discordâncias entre as falas de Rubio e o posicionamento russo?
Lavrov afirmou que, se uma parte apresenta uma proposta e a outra expressa concordância, negar a existência de um entendimento seria uma interpretação inadequada do processo diplomático. “Portanto, quando meu colega M. Rubio afirma que no Alasca houve apenas propostas, mas nenhum acordo, tenho dúvidas sobre o que entendemos por acordo. Se uma das partes, neste caso os Estados Unidos, apresentou suas propostas para uma solução para essa crise, e a outra parte expressou sua concordância com essas propostas, então afirmar que não houve acordo é bastante deselegante”, declarou.
O chefe da diplomacia russa também chamou atenção para o que classificou como contradições nas falas recentes de Rubio. Em uma declaração, o secretário de Estado afirmou que Washington estaria disposto a “assumir um papel construtivo” na resolução do conflito ucraniano, caso houvesse oportunidade. Para Lavrov, essa posição reforçaria a existência de propostas americanas debatidas no Alasca.
Qual a importância da cúpula entre Putin e Trump no Alasca?
A cúpula entre Putin e Trump ocorreu em 15 de agosto de 2025, na Base Conjunta Elmendorf-Richardson, em Anchorage, no Alasca. O encontro foi tratado como um momento de alto peso diplomático em meio às negociações sobre a guerra na Ucrânia. Três dias depois, em 18 de agosto de 2025, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky esteve em Washington acompanhado por sete líderes europeus para uma reunião com Trump na Casa Branca.
As declarações de Lavrov ampliam a disputa narrativa entre Moscou e Washington sobre o alcance das negociações no Alasca e sobre o papel que os Estados Unidos desempenharam na busca por uma solução para o conflito na Ucrânia. A versión traída por Rubio tem gerado controvérsias e motivado o governo russo a se manifestar publicamente a respeito das tratativas realizadas no Alasca.



