O Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro comprovou irregularidades na venda de ingressos e na superlotação do Estádio do Maracanã em jogos de Flamengo e Fluminense. As investigações, realizadas pelo Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (Gaedest/MPRJ), foram baseadas em análises de planilhas e laudos desde o ano passado, revelando que o volume de torcedores muitas vezes excede a capacidade permitida.
Os promotores, que assistiram a várias partidas ao vivo, identificaram que a entrada de torcedores, especialmente nos jogos do Flamengo, estava acima da capacidade do estádio e de setores específicos, como o norte e as cadeiras cativas. Inicialmente, a equipe do MP observou que a catraca do Maracanã não bloqueava a entrada, o que poderia representar um risco de tumultos, já que em anos anteriores houve episódios semelhantes.
O MP-RJ observou que nos jogos de 2026, o Fluminense disponibilizou mais ingressos que o permitido em cinco partidas. Já o Flamengo, além de também ter excedido a capacidade em várias ocasiões, superlotou o setor norte e as cadeiras cativas em pelo menos seis de doze partidas investigadas. Para entender melhor a situação, o MP partiu da comparação com um amistoso da CBF, entre Brasil e Panamá, que tinha todos os setores respeitando os limites de segurança estabelecidos.
As planilhas e dados coletados durante os jogos foram incorporados a um inquérito, que agora inclui um pedido de explicações dos clubes e do consórcio que administra o Maracanã. Flamengo, Fluminense, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro e as empresas de serviços receberam um ofício e têm até a próxima semana para se manifestar. Apesar das investigações, o consórcio dificultou o acesso aos dados, especialmente em jogos mais recentes.
A partir do início do inquérito em 31 de outubro, a dificuldade de acesso a informações sobre as entradas de torcedores aumentou, com a empresa responsável dizendo não ter mais como fornecer dados. Essa opacidade se intensificou após a saída do diretor de operações do consórcio, Severiano Braga, e a entrada do novo CEO, Fred Nantes, que, segundo o MP, tornou a coleta de informações ainda mais desafiadora.
A Lei Geral do Esporte prevê, caso se prove que houve venda de ingressos acima da capacidade, que os clubes responsáveis fiquem proibidos de atuar em seus estádios por um período de até seis meses. Nesse cenário, o MP-RJ está aguardando a resposta dos clubes e do consórcio para avançar com um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), evitando assim a judicialização e possíveis prejuízos aos times na temporada.
O Fluminense se defendeu, negando as acusações de venda acima da capacidade, enquanto o Flamengo não respondeu ao pedido de posicionamento. Já a federação afirma que prestará as informações necessárias ao MP dentro do prazo estabelecido. O prazo para resposta se encerra na próxima semana, o que aumenta a expectativa sobre os desdobramentos dessa investigação.
As partidas que estão sob investigação incluem jogos como Flamengo x Ceará, Flamengo x Fluminense, e outros, com datas específicas, até o jogo entre Flamengo e Botafogo na última semana. A continuidade do acompanhamento por parte do MP é essencial para garantir a segurança dos torcedores e a correta fiscalização do cumprimento das normas estipuladas pela Lei Geral do Esporte.



