O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) denunciou o atacante Ênio por fraude e manipulação de competição esportiva e lavagem de bens, direitos e valores. O jogador pertence ao Juventude e atualmente está emprestado para a Chapecoense. A denúncia, apresentada no dia 30 de janeiro à Vara Criminal da Comarca de Caxias do Sul, aponta que o atleta atuou em esquema de manipulação de apostas em jogos do Campeonato Brasileiro de 2025 e ocultou valores superiores a R$ 1,9 milhão obtidos de forma ilícita.
Nos dois casos, casas de apostas registraram um aumento incomum de apostas na modalidade “cartão de jogador” antes dos jogos, indicando que os apostadores tinham conhecimento prévio do resultado do lance. Alertas de manipulação foram emitidos nas duas ocasiões. Conforme a investigação, Ênio teria ocultado valores superiores a R$ 1,9 milhão obtidos de forma ilícita de empresas ligadas à exploração de apostas esportivas. As provas serão compartilhadas com a Polícia Federal para investigação “de eventuais crimes conexos de caráter interestadual”.
Em maio de 2025, o MP cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Ênio em Caxias do Sul e no estádio Alfredo Jaconi, no armário de uso pessoal do jogador. A investigação foi batizada de “Operação Totonero”, inspirada no escândalo de manipulação de resultados na Itália nos anos 1980. Ênio tem contrato com o Juventude até o final de 2028, mas, neste ano, está emprestado para a Chapecoense. O atacante já disputou três partidas na atual temporada, todas pelo Campeonato Catarinense, sem gols marcados.
Ênio teve seu nome envolvido duas vezes em alerta de casas de apostas por suspeita de manipulação. O primeiro foi um lance aos 36 minutos do primeiro tempo da partida entre Juventude e Vitória, pela primeira rodada do Brasileiro de 2025, em março. Ênio foi punido pelo árbitro Paulo Cesar Zanovelli com cartão amarelo por reclamar da marcação de uma falta perto da área da equipe gaúcha. Operadoras indicaram suspeitas sobre o lance por considerarem que houve um volume anormal de apostas no cartão para o atacante.
A segunda vez foi na derrota diante do Fortaleza, pela oitava rodada. As bets relataram um volume incomum de apostas para que o jogador recebesse cartão amarelo na partida, o que ocorreu aos 39 minutos do primeiro tempo, após o atacante dar uma entrada por trás em Lucas Sasha. Após a segunda suspeita, o Juventude afirmou que tomaria “medidas cabíveis”. Ênio chegou a ficar de fora da lista de relacionados do time de Caxias do Sul em algumas partidas, mas seguiu treinando normalmente e foi utilizado até o final do Brasileirão daquele ano.




