Bolsonaro e o bolsonarismo enfrentam transformações significativas nas intenções de voto, conforme aponta a pesquisa Nexus, encomendada pelo BTG Pactual. Publicada em 13 de julho, a pesquisa revela que, embora as intenções de voto entre os pré-candidatos à presidência em 2026, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, permaneçam estáveis, houve um deslocamento no perfil do eleitorado. Lula lidera com 40% das intenções, seguido por Flávio Bolsonaro com 34%. Contudo, no segundo turno, Lula venceria por uma margem apertada de 47% a 44%, indicando uma competição acirrada.
Os dados da pesquisa, que ouviu 2.003 eleitores entre os dias 10 e 12 de julho, evidenciam um crescimento de 3 pontos percentuais entre os eleitores que se identificam como “não polarizados”. Esse grupo, que não está alinhado nem com Lula nem com Bolsonaro, deu um salto de 20% para 23%. Este movimento sugere uma reconfiguração no cenário político, onde a ascensão dos não polarizados e a queda do bolsonarismo podem impactar a e trajetória política não apenas de Flávio, mas também de Jair Bolsonaro, que se encontra em meio a crises pessoais e políticas.
O crescimento da identificação como não polarizado pode estar relacionado a recentes crises envolvendo a família Bolsonaro. A divulgação de um vídeo por Michelle Bolsonaro, criticando Flávio e sinalizando seu afastamento da campanha, e a revelação de um áudio onde Flávio discute financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro, podem ter influenciado a percepção do eleitor. Com 30% de seus apoiadores reconhecendo que as crises diminuíram as chances de Flávio, o bolsonarismo se vê diante de um novo cenário. Dessa forma, a necessidade de entender o impacto dessas crises na identidade do eleitorado é crucial.
O que revela a pesquisa sobre as intenções de voto?
O levantamento da Nexus inclui dados relevantes, como a margem de erro de dois pontos percentuais, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-07981/2026. Embora Flávio tenha alcançado vantagem entre os não polarizados no segundo turno, onde venceria Lula por 45% a 32%, a análise sugere que o avanço dele não se traduz em aumento real nas intenções de voto a nível nacional. Parte dessa transformação reflete o distanciamento de bolsonaristas convictos, que caíram de 26% para 25%, demonstrando uma possível perda de identidade política baseada no apoio incondicional ao ex-presidente.
Além disso, a pesquisa revela que a opção por votos brancos e nulos cresceu entre os não polarizados, passando de 15% para 21%. Essa mudança no comportamento político pode alterar o futuro da disputa eleitoral e aponta para um aumento na demanda por candidatos da terceira via, que embora ainda com pouca representatividade, já soma 27% das preferências. Para maiores detalhes sobre como a pesquisa interage com o atual cenário político, consulte a análise completa.
Com as próximas eleições se aproximando, a dinâmica do eleitorado, especialmente em relação a Flávio, pode influenciar diretamente as estratégias de campanha e a percepção pública, onde a polarização parece dar lugar a uma nova forma de engajamento político onde a neutralidade acaba se tornando um espaço crescente e relevante.
Qual o impacto das crises pessoais de Bolsonaro?
As tensões familiares e as crises políticas recententemente expostas têm sido um fator crucial no desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro. A perda de apoio entre segmentos como eleitores com ensino superior, e aqueles com renda acima de cinco salários mínimos, evidencia uma volatilidade que não pode ser ignorada. Desde a acusação de Flávio que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o senador também percebeu uma diminuição em seu apoio entre a população acima de 60 anos, crucial em qualquer eleição.
Em comparação com ex-presidentes, como Fernando Henrique Cardoso, que sempre teve uma base de apoio sólida, a família Bolsonaro se vê obrigada a navegar em um ambiente sempre mais competitivo. A rejeição a Lula se manteve em 46%, mas Flávio enfrenta o desafio de mobilizar sua base enquanto busca ampliar suas alianças. Não só a crise pessoal impacta diretamente no eleitorado, como também molda o panorama político e as perspectivas de futuras candidaturas.
Consequentemente, as ações e posicionamentos da família Bolsonaro se tornaram mais críticos em um horizonte onde as alianças são fundamentais para a manutenção do poder. O ex-presidente, agora um político em situação delicada, deve avaliar como esses desdobramentos pessoais afetam seu legado e a viabilidade de suas futuras campanhas.
Como a pesquisa pode influenciar as eleições de 2026?
O cenário delineado pela Nexus sugere uma preparação estratégica tanto para Flávio quanto para Lula, considerando que Flávio Bolsonaro já é réu em mais de cinco processos no STF e se vê compelido a defender sua candidatura em um contexto de incertezas. A pesquisa também aponta que 86% dos eleitores lulistas convictos reafirmam sua preferência por Lula no primeiro turno, aumentando para 90% no segundo, refletindo uma estabilidade na base petista, enquanto trabalha em cima de temas importantes como direitos sociais e educação—áreas em que Lula detém vantagem.
A análise de especialistas sugere que, para Flávio, o fortalecimento da imagem de segurança e economia pode não ser suficiente sem uma posição clara em tópicos sociais. Em nota, um analista político afirmou: “Flávio precisa urgentemente reformular sua narrativa para atrair não apenas o eleitorado bolsonarista, mas também os não polarizados, se quiser competir de igual para igual com Lula. Isto é um reflexo direto das crises mais amplas em seu círculo íntimo, que se tornaram públicas.” Para contextualizar essas afirmações, é essencial observar as interações na mídia e como a família Bolsonaro é percebida.
O avanço da terceira via e a possível reconfiguração política são críticas a serem observadas nos próximos meses até as eleições de 2026, onde a capacidade de adaptação de Flávio e seu alinhamento com a base são eventos determinantes. A recente trajetória dos eventos coloca o futuro do “bolsonarismo” em uma balança onde a popularidade e a identificação se tornam peças-chave nessa disputa crescente.



