SÃO PAULO (SP) — Uma mulher de 27 anos foi presa em flagrante no último sábado (30) enquanto conduzia um carro furtado em Itanhaém, no litoral paulista. A suspeita afirmou aos policiais que adquiriu o veículo por R$ 6,5 mil em um grupo de vendas na internet, sem saber da procedência ilícita. A abordagem ocorreu durante patrulhamento no bairro Belas Artes, quando agentes do 29° Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) desconfiaram das placas do GM/Corsa Wind e iniciaram a fiscalização.
A prática de adquirir bens que são produto de crime configura receptação, crime previsto no artigo 180 do Código Penal Brasileiro. O veículo furtado havia sido levado em 28 de junho de 2023, em São Caetano do Sul, na região metropolitana de SÃO PAULO. A Polícia Militar constatou que a placa e o chassi apresentavam divergências, e a numeração do motor havia sido removida com indícios de adulteração.
Abordagem revela adulterações no veículo
Durante a vistoria, os policiais identificaram inconsistências entre a placa dianteira e a traseira, além de rasuras no número do chassi. Um contato com o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) confirmou que o automóvel correspondia a um registro de furto ocorrido há mais de um ano. A mulher foi questionada sobre a origem do carro e declarou tê-lo comprado por valor muito abaixo do mercado, cerca de R$ 6,5 mil, em um grupo de vendas online.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que a suspeita foi autuada em flagrante por receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. Ela foi encaminhada à Delegacia Seccional de Itanhaém, onde permaneceu à disposição da Justiça. O automóvel, as duas placas e a chave foram apreendidos para perícia. A identidade da mulher não foi divulgada, e não foi possível localizar sua defesa até o fechamento desta reportagem.
Especialista alerta para riscos em compras online
O advogado Fabio Hypolitto, especialista em direito penal, destacou a importância de verificar a procedência de veículos antes de formalizar a compra, especialmente quando o valor é muito inferior ao de mercado. “Bens com preços muito abaixo do mercado têm grande chance de ter origem ilícita e serem produto de crime”, ressaltou em declaração pública. Ele recomenda que compradores submetam o veículo a perícias oficiais cadastradas pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) antes de efetuar o pagamento.
A Polícia Militar reforça que a receptação é crime grave, com penas que podem chegar a quatro anos de reclusão, além de multa. A orientação é que qualquer negociação de veículos seja feita com cautela, preferencialmente com documentação verificada por órgãos oficiais e em locais seguros. O caso segue sob investigação na delegacia de Itanhaém, que apura a origem do anúncio e possíveis outros envolvidos na venda ilegal.



