Mulher trans morre após aplicação de silicone industrial em procedimento caseiro
no Litoral Norte do RS, diz polícia
Suspeita é investigada por outras mortes, segundo investigação policial. Ela
teria deixado o local enquanto a vítima estava passando mal.
Uma mulher transexual faleceu na manhã de domingo (23) em Capão da Canoa, no Litoral
Norte do Rio Grande do Sul, após um procedimento estético caseiro de aplicação
de silicone industrial nas nádegas, conforme relato da Polícia Civil. O procedimento foi
realizado por outra mulher trans, a qual fugiu do local ao perceber que a vítima
estava enfrentando complicações.
Segundo a investigação policial, a vítima buscou a suspeita em Porto Alegre e a levou até
Capão da Canoa para concluir o procedimento. Uma amiga da vítima, também
transexual, acompanhou todo o processo.
Ambas estavam cientes de que outras pessoas haviam perdido a vida após aplicações feitas pela
suspeita, porém, decidiram prosseguir. Conforme a polícia, a suspeita já está
sendo investigada por outras duas mortes relacionadas ao mesmo tipo de procedimento.
O caso está sendo investigado como homicídio doloso – quando há intenção ou
aceitação do risco de matar – e exercício ilegal da medicina.
Na noite anterior, no sábado (22), as três teriam visitado um terreiro em Santo
Antônio da Patrulha, onde participaram de um ritual espiritual. Segundo o
relato da amiga, um pai de santo teria assegurado que tudo daria certo, o que deu
segurança para realizar o procedimento no dia seguinte.
No domingo de manhã, o procedimento teve início no apartamento da vítima. Conforme
relato da amiga, em certo momento a suspeita percebeu que a vítima
não estava bem e pediu para buscar uma água. Posteriormente, solicitou leite
com sal, acreditando que a situação estava deteriorando.
No entanto, a situação se deteriorou e, antes da chegada do socorro, a suspeita
teria recolhido seus materiais e se retirado.
A amiga pediu ajuda a vizinhos e acionou o SAMU, porém a vítima já estava sem vida
ao chegarem os socorristas.
O Instituto-Geral de Perícias (IGP) compareceu ao local para realizar a perícia, e o
corpo foi levado ao Departamento Médico-Legal (DML) para necropsia.