Mulheres de Campinas desafiam machismo no futebol: conheça as histórias de Daniella e Jéssica

Mulheres de Campinas desafiam machismo no futebol: conheça as histórias de Daniella e Jéssica

CAMPINAS (SP) — O quarto episódio da série “Nossa Seleção” mergulha nas histórias de mulheres que enfrentam o machismo e a falta de espaço no futebol, tanto dentro de campo quanto no mercado de trabalho. A cuidadora Daniella de Oliveira e a motorista Jéssica Cristina Lima são protagonistas dessa narrativa, provando que o esporte pode ser um motor de transformação social e profissional.

Protagonismo feminino dentro e fora de campo

Daniella de Oliveira, de 33 anos, ex-atleta profissional, hoje atua como cuidadora na Casa Betel, um abrigo provisório em Campinas que acolhe cerca de 70 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Nas horas vagas, ela treina futebol e disputa a Taça das Favelas por um time amador. “O futebol faz parte das batidas do meu coração. Acho que eu não consigo viver sem. Mesmo com 33 anos, eu não me vejo longe disso”, afirmou ela em declaração à imprensa. Daniella compartilha suas medalhas e histórias com os jovens abrigados, motivando-os a acreditar em novas oportunidades. “É como se eu estivesse me reencontrando. Estou retribuindo aquilo que um dia fizeram por mim”, completou.

Já Jéssica Cristina Lima transporta carros de locadoras por diversas lojas no estado de SÃO PAULO, sendo a única mulher em sua função na empresa. Nos fins de semana, ela atua como assistente de arbitragem em torneios amadores e varzeanos, uma paixão que começou há dez anos como uma forma de complementar a renda. “Eu vivo e respiro futebol. É paixão, um pouco de doença, um pouco de vício. A mulher pode tudo. Acredito que até um pouco mais”, disse Jéssica. Apesar do amor pelo esporte, ela enfrenta preconceito e hostilidade no futebol amador. “Se eu não me impor, sou engolida”, ressaltou.

Desafios e superação no cotidiano

Na Casa Betel, Daniella convive diariamente com crianças que foram retiradas de suas famílias por determinação do Conselho Tutelar, aguardando decisão judicial sobre o futuro. Ela usa sua trajetória no futebol para inspirar os acolhidos, mostrando que é possível superar obstáculos. “Eu pude pegar um pouquinho de cada educador que entrou no meu caminho e hoje colocar em prática aqui”, explicou a cuidadora, que também treina regularmente para se manter em forma e disputar competições.

Jéssica, por sua vez, lida com jornadas longas e imprevistos no trânsito ao transportar veículos, mas não troca a profissão. “Amo, de verdade. Tanto é que quero adicionar outras letras na carteira de habilitação para pegar carros maiores”, afirmou a motorista. No campo, ela adota uma postura firme para ser respeitada como árbitra. “Aqui sou brincalhona, divertida, mas lá no campo a Jéssica é diferente. É para ser firme”, concluiu. As duas histórias, exibidas no episódio, reforçam o papel das mulheres como agentes de mudança no esporte e na sociedade, desafiando estereótipos e ampliando horizontes.

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