O trabalho em home office tornou-se uma realidade para muitas pessoas durante a pandemia, e a região de Piracicaba, em São Paulo, não ficou de fora dessa tendência. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dados do Censo de 2022 revelaram que mais mulheres do que homens estavam trabalhando de casa na região. No total, 39.719 mulheres exerciam suas atividades remotamente, enquanto para os homens esse número era de 32.005.

Essa tendência se estende por todo o Estado de São Paulo, com 1.681.862 mulheres atuando em home office, em comparação com 1.515.421 homens. Esses números refletem uma mudança significativa na forma como as pessoas estão realizando suas atividades profissionais e trazem à tona questões importantes sobre gênero, trabalho e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

A professora da Faculdade de Ciências Sociais e pesquisadora do Observatório PUC-Campinas, Stela Cristina de Godoi, aponta que a sobrecarga com o trabalho doméstico e a função de cuidado familiar são fatores que influenciam a escolha das mulheres em trabalhar em home office. Essa realidade se reflete nas estatísticas das 18 cidades da região de Piracicaba, onde, mesmo em municípios onde há mais homens atuando remotamente, as mulheres ainda superam em números proporcionais.

Produtividade e benefícios do home office

Um exemplo dessa realidade é a história de Ana Paula Santos, uma desenvolvedora de software de 31 anos que mora em Piracicaba. Durante a pandemia, Ana Paula começou a trabalhar em uma empresa sediada em Hortolândia (SP) de forma remota e, mesmo após o período de distanciamento social, a empresa não exige trabalho presencial.

Para Ana Paula, o home office trouxe benefícios significativos, como a possibilidade de cuidar da saúde, ter mais tempo para descansar e estudar, além de eliminar as horas gastas no trânsito para se deslocar até o escritório. Segundo ela, o ambiente remoto proporciona mais produtividade, uma vez que as interações durante o expediente são feitas com colegas de diversos lugares do mundo.

Nicole Giani, líder de conteúdo de 38 anos e também moradora de Piracicaba, encontrou no home office a liberdade para estruturar sua rotina de forma a garantir um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional. Ela destaca a importância de poder organizar o tempo de trabalho e de lazer, o que resulta em maior produtividade e satisfação no dia a dia.

Fatores que influenciam a escolha pelo home office

De acordo com a pesquisadora Stela Cristina de Godoi, o tipo de serviço e o nível de escolaridade são fatores que podem levar as mulheres a optarem pelo home office em maior proporção. Setores de serviços e atividades econômicas mais adaptáveis ao trabalho remoto, somados ao maior nível de instrução das mulheres, contribuem para essa realidade.

Além disso, a sobrecarga com o trabalho doméstico e a responsabilidade pela função de cuidado familiar são aspectos que impactam na decisão das mulheres em trabalhar em casa. Esses elementos acabam por refletir também na liderança dos domicílios monoparentais, onde a presença feminina é predominante na região de Piracicaba.

O home office se mostra como uma alternativa viável para muitas mulheres, proporcionando não apenas a flexibilidade necessária para conciliar diferentes esferas da vida, mas também contribuindo para uma maior produtividade e satisfação no trabalho. Com a constante evolução do mercado de trabalho, é fundamental refletir sobre as transformações que o trabalho remoto traz para a sociedade como um todo.