Nilton Cesar, artista falecido aos 86 anos, foi discípulo de Orlando Dias no canto de repertório que refletia a alma sentimental do povo brasileiro.
Nilton Guimarães (27 de junho de 1939 – 28 de janeiro de 2026), nome de batismo do cantor mineiro conhecido como Nilton Cesar, morreu na manhã de ontem, aos 86 anos, em São Paulo (SP), cidade onde o corpo do artista foi velado e cremado no mesmo dia do falecimento. A causa da morte não foi revelada pela família.
Nilton Cesar foi um cantor que deu voz a músicas sentimentais caracterizadas como ‘bregas’ pelas elites culturais. Mineiro de Ituiutaba (MG), o artista jamais deixou de cantar, mas a voz de Nilton sempre esteve mais identificada com os anos 1960 e 1970, décadas em que vários cantores aderiram a um repertório extremamente popular e romântico, no rastro do cancioneiro pueril da Jovem Guarda.
A verdade é que Nilton Cesar estreou na carreira antes da Jovem Guarda, no início da década de 1960, quando já transitava entre as cidades do Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), epicentros do mercado fonográfico brasileiro. O cantor pegou o fim da era do rádio e logo começou a gravar discos pelas gravadoras RGE e (principalmente) Continental, companhias fonográficas nacionais que abrigavam artistas muito populares.
Voz de boleros e sambas-canção, Nilton Cesar foi chamado de Príncipe das baladas. O cantor seguiu a linha de antecessores como o pernambucano Orlando Dias (1923 – 2001), intérprete influente no universo do brega romântico. Nilton, aliás, iniciou sua carreira de cantor imitando o estilo de Orlando em programas de talentos, nos quais frequentemente saía vitorioso.
Já profissionalizado, Nilton emplacou seu primeiro sucesso em 1964 com a gravação da guarânia “Choro por gostar de alguém”. Em seguida, veio outro sucesso, “Casa vazia”, que consolidou a trajetória do jovem cantor. O primeiro álbum significativo da carreira do artista, “Nilton Cesar com alma e coração”, foi lançado em 1965. Com este LP, o cantor tornou-se famoso com a música “Professor apaixonado”.
Quatro anos depois, em 1969, Nilton Cesar conseguiu emplacar mais uma música, “Férias na Índia”. Em 1971, a gravação da música “A namorada que eu sonhei” rendeu outro sucesso para este cantor cujo repertório refletiu a alma apaixonada do sentimental povo brasileiro, país de muitos reis e príncipes na dinastia da música romântica.




